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Clevelândia: as vítimas do coronavírus

27/03/2020

Por Loidi Ferst

Contato: lex.jornalismo@gmail.com

Enquanto uma parte da população discute: voltar ao trabalho ou quarentena, uma das frases mais ouvidas “fique em casa”, fez refletir se todos possuem essa opção.


Jair dos Santos, 49 anos, clevelandense, morador do bairro Aeroporto não dispõe desse privilégio. Em uma família de cinco pessoas, apenas ele está trabalhando. “Os meninos até trabalham, mas por dia, e agora tá tudo parado”, disse Jair, fazendo referência aos filhos. Após percorrer boa parte da cidade para recolher materiais recicláveis, terminou o dia com o carrinho pela metade, o que irá lhe render 12,00 reais. Esse é o valor que ele tem tirado por dia para levar o sustento a sua família, desde o início da quarentena. Com o comércio fechado, responsável por boa parte do reciclável recolhido por ele, e as pessoas reclusas em casa, o material sólido ficou ainda mais escasso.


“A vida já não era muito fácil, aí parou tudo. Eu não posso ficar em casa, tenho que sair catar lixo senão ficamos sem comida. Não está dando pra muita coisa, mas a gente vai se virando até tudo voltar ao normal, espero que volte logo”, disse ele sorrindo. Ao questiona-lo sobre o coronavírus, se ele conhecia os perigos dessa doença; “Eu não tenho medo, sou forte, sempre trabalhei, só não posso parar por isso”, finalizou.

Crise

O Brasil tem, segundo o IBGE, 38,3 milhões de pessoas trabalhando como informais, que podem ficar sem renda com o avanço da pandemia de coronavirus. São pessoas que trabalham como vendedor ambulante, motoristas, manicure, diaristas, feirantes, lavador de carros, pedreiros, encanadores, eletricistas, entre outros.


O comércio é um dos principais setores que está sendo afetado pela crise econômica decorrente da pandemia do novo coronavírus. Com as pessoas saindo menos de casa, há menos movimento nas ruas e lojas, caindo a demanda pelos produtos. Com isso, o setor de comércio terá uma queda forte na receita, o que está levando à dispensa de funcionários. No caso de pequenos comércios, a crise pode significar até o fechamento das portas.


Jair representa uma parte da população que não dispõe do privilegio de ficar em casa. Muitas medidas foram anunciadas pelo Governo Estadual e Federal nos últimos dias para tentar conter a crise econômica no país. Enquanto isso, Jair dos Santos, entre tantos outros, irão continuar na corrida diária para o sustento em meio a pandemia do coronavírus.

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