PARTE

 

NOSSA HISTÓRIA (parte 1)

MEIGA TERRA

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HISTÓRICO

Desde o século XVII sabia-se da existência de extensos campos ao sul do Iguaçu, separados de Guarapuava por um sertão de poucas léguas de largura à margem daquele rio. As primeiras penetrações nos Campos de Biturunas, hoje Campos de Palmas, ocorreram quando as bandeiras paulistas tentavam atingir as regiões do Goyo-Eu (rio Uruguai) e iam ao ataque das Missões do Uruguai .

Em 1759, ao proceder-se à demarcação da fronteira, eram evidentes os sinais do domínio português na região de Palmas.  Várias expedições foram organizadas com o objetivo de explorar o território e descobrir um caminho que ligasse os Campos de Guarapuava com o norte do Rio Grande do Sul.  

Em 1839, as bandeiras de Joaquim Teixeira do Santos e Pedro de Siqueira Côrtes, oriundas de Guarapuava, penetraram no sertão e alcançaram os Campos de Palmas, dando início à fundação de fazendas. A disputa pela primazia do local conquistado trouxe a desarmonia entre os dois grupos, havendo, então, a necessidade de um árbitro para demarcar as terras de cada um.

A 28 de maio de 1840, chegaram ao lugar da contenda dois árbitros, Dr. João da Silva Carrão e José Joaquim Pinto Bandeira, vindos de Curitiba. As terras em litígio foram divididas pelo ribeiro Caldeiras: as de Pedro de Siqueira Côrtes para o oeste (Alagoas ou Lagoa) e as de Joaquim Ferreira dos Santos para o leste (Arrachamento Velho).

Dois fatores dificultavam grandemente os esforços dos primitivos ocupantes do lugar. De um lado, a pretensão argentina de estender os limites de seu domínio territorial; de outro, a hostilidade permanente dos indígenas.

 

CAMPOS DE PALMAS DE BAIXO

Em 1865, encontrava-se nos campos de Palmas de Baixo - onde hoje se localiza o município de Clevelândia - um contingente da Guarda Nacional, para a guarnição da Fronteira.

Dentre os militares que aqui chegaram estava o Alferes Manoel Ferreira Bello.

Este, em 1870, comprou de Antônio Farias Prestes e sua mulher, aproximadamente 300 alqueires de terras e doou-os para ser utilizado na formação de uma Freguesia.

Com o passar dos anos e devido ao movimento das tropas o acampamento desse contingente foi se transformando num pequeno povoado, hoje Clevelândia.

 

O povoamento dos Campos de Palmas de Baixo, onde hoje se localiza o Município de Clevelândia, data da época da Guerra do Paraguai, quando foi destacada uma força de Guarda Nacional para guarnecer a fronteira. Com o prolongamento da guerra, os alojamentos provisórios dos praças transformaram-se em habitações permanentes, as quais foram aumentando e dentro de alguns anos constituíram o Arraial. Essas terras eram habitadas por índios e, mais tarde, por colônias de militares criadas para defender o território brasileiro de Argentinos e Paraguaios.

A colonização continuou através de desbravadores que vieram da região do Sudoeste do Paraná, além de pessoas vindas de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul e também madeireiros oriundos de diversos estados do Brasil em busca de melhores dias para suas famílias.

Os primeiros povoadores conhecidos foram; Hermógenes Carneiro Lobo, Manoel Ferreira Bello e José de Lima Pacheco.

José de Lima Pacheco, que veio com a Expedição chefiada por Pedro Siqueira Cortes, mais tarde casou-se com Joaquina Mendes, indo residir no lugar denominado “Fazenda Santa Cruz do Rio chopim”.

Joaquina que viuvou e continuou morando naquela fazenda, faleceu aos 107 anos de idade e em sua homenagem temos o rio Joaquina, com o “Salto Joaquina”.

Do casal José de Lima Pacheco e Joaquina Mendes são descendentes numerosas famílias no município de Clevelândia.

Atualmente a população é predominantemente formada de italianos, seguida de mestiço, alemão, português, turco, polonês e espanhol.

POVOAÇÃO

 
 
 
 
 

BRASIL E ARGENTINA - UMA QUESTÃO DE FRONTEIRAS

A questão da fronteira entre Brasil e Argentina remonta aos tempos coloniais, momento em que diferentes tratados foram convencionados após anos de desavenças entre as metrópoles Portugal e Espanha. Os acordos de delimitação, defasados desde o Tratado de Tordesilhas (1494), precisavam de ajustes para legitimar as posses dos territórios desbravados e incorporados pelos bandeirantes.
A "Questão de Missões" para a Argentina e "Questão de Palmas" para o Brasil, tem sua origem na transposição dos nomes dos rios limítrofes Peperi e Santo Antônio. Ambas as nações admitiam que os dois rios eram os limites internacionais, todavia discordavam do levantamento destes in loco. Enquanto o Brasil localizava estes rios mais a Oeste, a Argentina identificava os rios Chapecó e Chopim como Peperi e Santo Antônio, respectivamente, o que formava uma “cunha” no interior   do  território  brasileiro.  Essa   limitação  advinha  das

decisões e explorações pertencentes aos Tratado de Madri (1750) que, embora anulado em 1761, serviu de base para a configuração dos limites internacionais.

Em 1788, foi descoberto pelos comissários espanhóis um rio à margem direita do rio Uruguai, “acima da confluência do Peperi-Guaçú, e, portanto, mais para Leste, dentro do território português,  a  foz  de outro  rio  que  já figurava,  embora   sem

nome, nos mapas do comêço dêsse século”. Esses comissários passariam, então, a designar o Peperi-Guaçú como Peperi-Mini e nomear de Peperi-Guaçú o que é o rio Chapecó, interiorizando a fronteira mais a Leste. Essa lógica também foi aplicada na porção Norte, denominando Santo Antônio-Mini o rio Santo Antônio, enquanto que o rio Chopim passou a ser identificado como Santo Antônio-Guaçu. As classificações guaçú e mini correspondem a “maior” e “menor”, respectivamente. Essa troca de identificação consubstanciou a plasticidade da fronteira para sentido Leste, visando criar correspondência entre as diferenças presentes nos trabalhos demarcatórios.

Durante o tempo em que a questão permaneceu indefinida, a Coroa Portuguesa providenciou para que houvesse povoamento da área, iniciado pelas expedições militares exploratórias, e mais tarde pela instalação de colônias militares.

Tratado de Arbitramento

 

De 1864 a 1870 ocorreu a Guerra do Paraguai e como o Brasil, Argentina e Uruguai se uniram contra o Paraguai, não houve possibilidade de retornar à questão.

Em 1881, a Argentina passou a pleitear a extensão de suas terras até o Rio Chapecó e o Rio Chopim.

Após diversos avanços e recuos, brasileiros e argentinos, preocupados em decidir a questão pacificamente, criaram uma Comissão Mista para resolver o problema.

Em 7 de Setembro de 1889 foi firmado o Tratado de Arbitramento, descartando qualquer divisão e entregando a decisão ao presidente norte americano Stephen Grover Cleveland.

Barão Aguiar de Andrade - Defesa dos interesses 

Em 25 de Janeiro de 1890, com o advento da República e o novo regime ainda em fase de consolidação e  desejoso de evitar confronto com a Argentina, por intermédio de uma negociação sigilosa de Quintino Bocaíuva, foi acordada a partilha amistosa do território firmada pelo Tratado de Montevideo. Com a concordância do governo do Marechal Deodoro, o Ministro de relações exteriores brasileiro Quintino Bocaiuva assinou em Montevidéu juntamente com o chanceler argentino Estanislau Zeballos, o acordo para a divisão afirmando: "Terras, temo-las nós de sobra; o que nos falta é juizo".

Este acordo solucionava a discussão simploriamente ao dividir área de litígio no meio através de uma meridiana geométrica. Sendo a parte ocidental, argentina e a oriental, brasileira.

A Comissão Especial eleita pelo Congresso Brasileiro para examinar o Tratado de Montevidéu opinou pela sua rejeição do acordo  e pelo recurso ao Arbitramento. Esse parecer foi aprovado em sessão de 10 de agosto de 1891, por 142 votos contra 5, voltando a prevalecer a tese do arbitramento.

Foi designado então para a defesa dos interesses brasileiros, o Barão Aguiar de Andrade, que pouco conhecedor da matéria, chegou a afirmar que a designação seria o fim de sua carreira, "porque esta é uma questão perdida". A impressão se baseava na existência de um mapa das Cortes, de 1749 seria contrário ao Brasil.

Logo após chegar a Washington morre Aguiar, e o presidente Floriano Peixoto designa então para substitui-lo o Barão do Rio Branco (José Maria da Silva Paranhos Júnior), a quem coube a defesa de nossas posições.

Barão do Rio Branco - Defesa dos interesses

Em 1893, em substituição ao Barão Aguiar de Andrade, o Barão do Rio Branco foi nomeado chefe da missão encarregada de defender os direitos do Brasil. Para acompanhar o processo,   transferiu-se para Nova York, onde por dois anos, juntamente com sua equipe  se dedicou exclusivamente a essa importante causa.

Seus argumentos fundavam-se no princípio “Uti possidetis”, firmando jurisprudência. Sua brilhante defesa, que levaria o árbitro, presidente Grover Cleveland, a feliz conclusão em favor do Brasil, fundamentou-se no meticuloso trabalho de mapeamento e rastreamento dos brasileiros ocupantes da área, fazenda, caminhos, roças, registros de rios, monjolos, passos e fortificações.

Nesse processo, foi decisiva para a argumentação do Barão do Rio Branco a prova concreta da ocupação, pelos brasileiros, dos Campos de Palmas, o que consolidou o domínio do território, pelas fazendas instaladas e pelas colônias militares do Chopim, Chapecó e Bela Vista (Clevelândia), comprovando que, em 1890, dos 5.793 habitantes da região contestada, somente 30 eram estrangeiros, e destes nenhum eram Argentinos.

Arbitramento

Em 1895, foi resolvida a Questão das Missões, graças à arbitragem do então Presidente da República dos Estados Unidos da América do Norte, Stephen Grover Cleveland, que reconheceu como território brasileiro a vasta região dos Campos de Palmas.

Os argumentos e as comprovações apresentadas pelo Barão do Rio Branco pesaram no espírito do presidente dos Estados Unidos que proferiu sentença favorável ao Brasil, outorgando-lhe direitos definitivos sobre o chamado “Território das Missões”.

A sentença arbitral estabelecia que os rios peperi-guaçú e Santo Antônio, juntamente com o Rio Uruguai, constituíam a linha divisória entre Brasil e Argentina. Incorporou-se dessa maneira, ao nosso território, os 30.622 km², antes em litígio.

Sentença do Presidente Cleveland (tradução)

 

"Aquele limite da linha traçada entre a República Argentina e os Estados Unidos do Brasil naquela parte submetidos a minha Arbitragem e decisão é constituída e será estabelecida junto ao Rio Peperi, também chamado Peperi-guaçú e Santo Antônio, os rios do Brasil estão designados no argumento e documentados a mim submetidos e constituídos e anteriormente denominados o sistema Oriental".

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