Megaoperação da Polícia Civil prende 106 pessoas e desarticula organização criminosa investigada a partir de Clevelândia

Uma investigação iniciada em Clevelândia, no Sudoeste do Paraná, levou a Polícia Civil do Paraná (PCPR) a deflagrar uma grande operação contra uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, tortura e outros crimes. A ação ocorreu na quarta-feira (14 de outubro) e mobilizou mais de 500 policiais em municípios do Paraná, Santa Catarina e São Paulo.
Ao final do dia, a corporação divulgou o balanço de 106 pessoas presas e 212 mandados judiciais cumpridos. Desse total, 92 eram mandados de prisão e 120 de busca e apreensão. Também foram registradas 14 prisões em flagrante.
As investigações começaram após a polícia apurar episódios de violência atribuídos ao grupo em Clevelândia. Conforme as informações da PCPR, pessoas apontadas como traidoras pela organização eram submetidas a agressões e mantidas em cárcere privado. Já indivíduos com dívidas relacionadas ao tráfico eram alvo de ameaças e intimidações.
Um dos principais avanços da investigação ocorreu após a apreensão de três celulares em uma unidade prisional do município. A análise dos dispositivos ajudou os investigadores a identificar a estrutura hierárquica da organização e a comunicação entre detentos e integrantes que atuavam fora das penitenciárias.
Segundo a delegada Alini Simadon, da PCPR, os dados obtidos revelaram um grupo organizado que utilizava o sistema prisional para coordenar atividades criminosas em diversas cidades dos três estados.
De acordo com a apuração, a facção mantinha regras próprias dentro das unidades prisionais, com integrantes encarregados de fiscalizar comportamentos, avaliar supostas infrações e determinar punições físicas. A investigação também identificou pessoas responsáveis por facilitar a entrada e a circulação de celulares e roteadores nas celas.
A atuação do grupo não se restringia aos presídios. Familiares e outros colaboradores são suspeitos de auxiliar nas atividades da organização, inclusive no transporte de drogas. Conforme a polícia, havia ainda um esquema de distribuição de entorpecentes, armazenamento de cocaína, crack e maconha e administração de pontos de venda a distância.
A investigação também aponta que as lideranças negociavam grandes carregamentos de drogas e estabeleciam valores para a comercialização dos produtos em diferentes localidades. No aspecto financeiro, a suspeita é de que recursos provenientes do tráfico fossem movimentados por meio de transferências via PIX para contas de terceiros, numa tentativa de dificultar o rastreamento do dinheiro.
As diligências ocorreram em aproximadamente 20 municípios paranaenses, incluindo Clevelândia, Pato Branco, Francisco Beltrão, Palmas, Coronel Vivida, Realeza, Dois Vizinhos, Cascavel, Curitiba, Guarapuava e Cruzeiro do Oeste. A operação também chegou a Abelardo Luz, em Santa Catarina, e aos municípios paulistas de São Carlos e Cotia.
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam aparelhos celulares, armas, munições e drogas. Também foi encontrada uma estufa com dezenas de pés de maconha. A operação foi coordenada pela Polícia Civil do Paraná, com participação do Ministério Público do Paraná, da Polícia Militar e da Polícia Penal paranaenses, além de forças de segurança de Santa Catarina e São Paulo. Cães farejadores também foram utilizados nas buscas.
A Justiça autorizou ainda o acesso a informações bancárias e aos dados dos dispositivos eletrônicos apreendidos, medidas que devem contribuir para esclarecer a movimentação financeira e o funcionamento da organização.
As investigações continuam para aprofundar a identificação dos envolvidos, compreender a estrutura de comando e reunir provas sobre os crimes atribuídos ao grupo.
15 de outubro de 2026





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