Nilton Luiz Pacheco Loures

Nascido em Clevelândia-Pr, Ex professor universitário,
Advogado, gestor ambiental, pós graduado em Direito Processual Civil e Direito
Ambiental, escritor, compositor, e membro fundador da Academia de Cultura do Sudoeste do Paraná.

INTRODUÇÃO

               O município de Clevelândia é considerado o berço do sudoeste do Paraná. A data da marca histórica de emancipação política e administrativa se comemora no dia 28/06.   A civilização do sudoeste do Paraná, e toda a trajetória dos municípios que integram esta região progressista e que se desmembraram do seu cordão umbilical, revelam  por si só, a história, a cultura e os costumes do nosso povo. Seja do longínquo ciclo da erva mate nos primórdios de nossa povoação, produção de suínos vendidos para o Estado de São Paulo e posteriormente a exploração de madeira, até a década de 1970, seja  mais recentemente com a produção de pinus e eucalipto,  cultivo da soja, trigo, milho e outras culturas, além da pecuária, e expansão da bacia leiteira e  novas tecnologias.  Ao longo do tempo, nunca se viu um projeto de incentivo a preservação do seu patrimônio cultural, ou mesmo a revitalização de algum espaço de cunho histórico ou incentivo ao turismo.  Ao contrário de inúmeras cidades centenárias que preservaram o seu centro histórico, tais como Lapa, Castro, Paranaguá, entre outras, os nossos administradores públicos assistiram impassíveis o transcorrer do tempo, o “tombamento” no sentido literal da palavra, de construções centenárias,  e sobrados edificadas no século passado, sepultando consigo grande parte da nossa história.  Não há em nossa arquitetura urbana, nenhuma construção que faça relembrar que esse município marca no seu calendário 127 anos de existência.  As poucas construções que sobrevivem a ação do tempo, são casas vetustas em madeira, mal conservadas e com manutenção precária.

 

         Não se trata obviamente de cultuar ruínas em detrimento do progresso que a modernidade nos impõe numa progressão geométrica, mas é perfeitamente possível conviver em harmonia, a preservação histórico-cultural do passado, com a tecnologia moderna do presente.  

Esta lição vem da Europa, que tem no turismo uma de suas maiores fontes de renda. O nosso legado consiste em deixar aos nossos  filhos , a sedimentação da herança cultural desta terra, e a coragem do nosso povo de vencer desafios, como forma de cultuar a memoria de nossos ancestrais.  

              O nosso modesto projeto, não tem nenhuma pretensão ou vaidade. Demonstra apenas a preocupação com a cultura, com a rica história do nosso município, e incentivo ao turismo como fonte alternativa de progresso, para o despertar de um novo horizonte que se encontrado obumbrado entre as nuvens.  O certo é que é inegável que o nosso município não evoluiu de maneira satisfatória na industrialização e no comércio. Não há empregos para a pequena população que se esvazia dia a dia na busca da outros municípios mais desenvolvidos para a manutenção de sua família.  A mãe do sudoeste não quer assistir impassível na sua cadeira de balanço a evolução cultural e progressista de suas cidades filhas, mas dar conhecimento a todos, da sua própria história, sob pena de ficar para sempre as suas lembranças no compartimento aprisionado do passado.  O povo desta terra não quer se acomodar, mas buscar outras  alternativas  para sua evolução. Para tanto, sugerimos ao município, através do seu Departamento de Cultura  e  da Secretaria de  Cultura do Estado do Paraná e Departamento de Cultura do município, através de mecanismos possíveis e necessários,  incentivo ao TURISMO  com ideias de revitalização do espaço urbano.  

OBJETIVO GERAL

         O município de Pato Branco há tempo vem estabelecendo metas para que se integre no calendário turístico,  no segmento de negócios e eventos.  (Diário do Sudoeste- 6/7 de junho de 2015)  

 

           Nada impede que o nosso município, também, envide esforços para que possa num futuro próximo, se integrar no mesmo calendário, mas  tendo como  segmento o de  turismo histórico e cultural. 

 

            Para tanto, temos que nos mobilizar em preservar o patrimônio que ainda nos resta, revitalizar o que ainda temos,  construir novos espaços, praças, parques e  monumentos. A nossa história cultural é rica, e por ser o município mais antigo do sudoeste, é o que maior resgate histórico possui.

Há muito tempo venho escrevendo contos, lendas, publicando fotos, fazendo entrevistas com personagens históricos, e publicando em redes sociais. O objetivo é registrar a história da nossa terra para os descendentes que virão. São histórias reais contadas por antigos moradores e por mim adaptadas. Infelizmente a grande parte de nossa  população desconhece essa herança extraordinária e que tende a desaparecer se não houver um trabalho com responsabilidade e dedicação.

 
 

         PARQUE BANDEIRANTES  

           A nossa primeira sugestão é  que seja contratado um artista plástico para confeccionar um busto e/ou um monumento em homenagem ao Cel. Manoel Ferreira Bello  e colocado na entrada no local que há mais de 100 anos atrás abrigou o primeiro campo santo deste município- (Bandeirantes)  e que  está localizado na rua Cel Manoel Ferreira Belo no centro da cidade.

             A justificativa para esta homenagem é que o ilustre personagem foi um dos primeiros  habitantes do município, além de ter feito a doação do imóvel onde se encontra assentada  a cidade de Clevelândia. Há que se reconhecer a grandeza do seu gesto,  demonstrando desapego as coisas materiais e o  e amor  pelo local onde vivia.  O personagem  também foi agraciado com o nome de uma das principais ruas da cidade, inclusive a que está situada o Campo Santo Bandeirantes que atualmente se encontra inócuo sem nenhuma benfeitoria.  

              Ressalte-se que apesar de ter sido o primeiro cemitério do município, com a construção do novo cemitério municipal  foram removidos os restos mortais de todos aqueles que  foram sepultados naquele local. Nada impede pois, que o nome seja substituído futuramente, para  “Parque Bandeirantes”.

Neste local foram sepultados fundadores do município, e inclusive vítimas do combate do Rio São Francisco de Sales travada  em fevereiro de 1925 conforme relatado na obra  “Um rio por testemunha” de nossa autoria juntamente com Prof. Guibarra  Loureiro de Andrade.

 

            Ainda que já tenham sido removidos os seus restos mortais com a desativação do antigo campo santo, como já dito acima,  é  necessário que se preserve a placa de homenagem que se encontra no local, em respeito a administração pública

Cel. Manoel Ferreira Bello

               O imóvel que se pretende a revitalização está em    boas condições, mas  sem os cuidados necessários, sem o devido  isolamento e sem iluminação pública. É alvo de constantes invasões, depredação e depósito de lixo.  Pela foto abaixo, antes era possível  ver o desalinhamento do calçamento, ausência de paralelepípedos próximo ao monumento, revelando um aspecto de abandono. Atualmente não existe mais esta calçada. Ressalte-se que imóvel é privilegiado, localizado em região nobre, numa das ruas principais da cidade, razão pela qual se justifica a  revitalização objeto deste projeto e a implementação do monumento sugerido. 

Antigo Campo Santo Bandeirantes

             As praças, as bibliotecas, os parques, monumentos e espaços culturais, são lugares onde as pessoas podem interagir, criar vínculos, além de desfrutar de lazer e entretenimento, melhorando assim a qualidade de vida de todos. 

 

              Não bastasse, a visitação pública e incentivo ao turismo, permitirá ao nosso povo  um aprofundamento cultural sobre a  sua história,  além de proporcionar  fonte de renda alternativa, e notoriedade além fronteiras.           

Foto ilustrativa

 

    PARQUE NATURAIS   

           

       Abaixo relaciono alguns dos locais de importância histórica cultural do nosso município e que podem após estudo detalhado de viabilidade, ser objeto da preservação e revitalização necessária no futuro.

 1.  PARQUE NATURAL / CACHOEIRA DO RIO SÃO FRANCISCO DE SALES  

 

       A cachoeira do Rio São Francisco de Sales, presente da natureza que nos foi doada, e palco do combate histórico ocorrido entre as forças legalistas, (com o apoio do Batalhão de Republicanos Voluntários  Clevelandenses)  e Destacamentos da Coluna Prestes.  (Relatado no livro “Um rio por testemunha” de nossa autoria com o Prof. Guibarra Loureiro de Andrade com apresentação do ilustre colega e amigo, Dr Olímpio Marques.  

         A  nossa ideia seria a desapropriação e/ou alguma forma de concessão deste local, para  a  construção de um “Mirante” próximo a Cachoeira, a fim que todos os turistas que trafegam pela Rodovia PR 280, pudessem contemplar essa beleza natural e conhecer um pouco da nossa história, haja vista que o local dista aproximadamente 500 metros do asfalto.  Assim, o nosso município passaria a integrar a rota do turismo histórico,  elevando ainda mais o seu nome no contexto estadual, nacional e até mesmo internacional. Afinal a presente rodovia é itinerário de argentinos, paraguaios, e outros povos latinos que visitam em período de férias as nossas praias.

2.  PARQUE NATURAL / CACHOEIRA DO RIO DO BRINCO 

 

   A Cachoeira do Rio do Brinco localizada no acesso secundário da nossa cidade, era o local de visitação da juventude clevelandense para passeios e encontros na década de 1930.  Segundo relato de Mozart Rocha Loures e Zenon Arruda, ambos de saudosa memória , testemunhas oculares do desenvolvimento do município, com participação  ativa na sociedade, além de fundadores dos dois primeiros times de futebol do município. Eles contavam que naquela época, os jogadores faziam  treinamentos físicos no campo de futebol (Tabu)  com o técnico e depois se dirigiam até a cachoeira do Rio do Brinco para um banho e  após retorno em marcha para continuidade do treinamento. Necessário também que se divulgue a lenda que inspirou o nome do Rio do ‘Brinco” baseado no amor de um mascate e a filha de um fazendeiro, e que já se encontra publicada e ainda  desconhecida da grande maioria dos clevelandenses.

        A  nossa ideia  é a revitalização também deste  local, com a construção de um parque nas proximidades, e preservação da   nascente. É um local de grande beleza, que poderá servir de estímulo ao  turismo do município e região. Ressalte-se a ciclovia existente no Bairro Soledade, (que inclusive merece  ajardinamento, paisagismo e iluminação)  é um importante acesso até o local,  incentivando a prática de caminhadas,   prática de ciclismo, proporcionando convívio com a natureza , saúde e bem estar.

 
 

    MONUMENTOS   

         

 1.  GROVER STEPHEN CLEVELAND

 

          A sensibilidade, competência e lucidez do ex- presidente americano Grover Stephen Cleveland, permitiram na qualidade de árbitro da questão de limites entre o Brasil e a Argentina, que decidisse  favorável ao Brasil, a questão sobre o Território das Missões.

      Em razão de tal fato, o nosso município, através de Lei Municipal, passou a denominar-se Clevelândia. Sugiro a construção de uma estátua e ou/monumento deste ilustre personagem da nossa história, em ponto estratégico de nossa cidade. (Poderia ser na rotatória da Av. Nossa Senhora da Luz (Próximo ao Supermercado)  na Praça Getúlio Vargas, ou outro local de destaque.

Imagem3.jpg

 AMIGOS DA

 NOSSA CULTURA