PARTE

1
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Nilton Luiz Pacheco Loures

Nascido em Clevelândia-Pr, Ex professor universitário,
Advogado, gestor ambiental, pós graduado em Direito Processual Civil e Direito
Ambiental, escritor, compositor, e membro fundador da Academia de Cultura do Sudoeste do Paraná.

NARRATIVAS

05 de Agosto de 2020

UMA OBRA DE ARTE!

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O oratório de madeira possivelmente mais antiga de Clevelândia, está situado na Fazenda  Santa Cruz do Rio Chopim, fundada pelo casal Joaquina Mendes Pacheco e José de Lima Pacheco, um dos primeiros casais habitantes desta terra, que naquela época nem se chamava Clevelândia. Joaquina morou até o final de sua vida na fazenda, falecendo aos 104 anos de idade, e foi sepultada no cemitério municipal desta cidade. O imóvel que abrigava a antiga fazenda, foi legalizado em 1.854, data da instauração da Província do Paraná. Mulher aparente frágil com apenas 1.49 de altura, Joaquina era destemida, forte, corajosa, e muito devota de Nossa Senhora Aparecida. Construiu o oratório feito em madeira e talhado na sua parte superior com desenhos em corte, que lembra a arte barroca (conhecida pelos detalhes, requinte e elegância). Desenvolvida no século XVII em uma época bastante significativa para a civilização no Ocidente). Os proprietários relatam que possivelmente o oratório tenha mais de 130 anos, uma vez que foi construído juntamente com a antiga  sede  da fazenda que foi demolida, há muito tempo atrás. 

oratório

Conforme informações coletadas com familiares mais antigos, os mesmos escravos que construíram as taipas, (cercas de pedras divisórias para abrigar carneiros e separar piquetes) que ainda podem ser vistas próximas a sede atual, ajudaram na construção do oratório que se mantém devidamente conservado.  Relembre-se a propósito, os versos do poeta maior do sul,  Jayme Caetano Braum, sobre as taipas: Velha mangueira crioula, curral de pedra empilhada que até o pastor da manada bombeia com desconfiança, ficaste como lembrança da infância desta querência, guardando a mesma inocência dos brinquedos de criança! Os antigos oratórios tem bastante identificação com o catolicismo no Brasil, como a padroeira Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora Desatadora de Nós, que atende preces difíceis. Que este oratório possa ser conservado com o  mesmo zelo, por muitos anos pelas futuras gerações, pelo valor histórico que representa, como forma de cultuar os nossos antepassados.

taipas

 
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05 de Agosto de 2020

O DRAMÁTICO DESAPARECIMENTO DE DUAS CRIANÇAS

O fato a ser relatado ocorreu há 59 anos atrás, num domingo a tarde próximo as 14.30hs, na divisa do Estado do Paraná com o Estado de Santa Catarina, na localidade conhecida por Linha Imigra, município de São Domingos-SC, e envolveu o desaparecimento de duas crianças, Zilá Pedroso com 06 anos (filha de Agenor Pedroso, (já falecido) e Maria da Luz Pedroso)  e Elaine Bodanese, com apenas 04 anos de idade, filha de Augusto Bodanese e Tereza Bodanese (ambos falecidos) proprietários e moradores de uma fazenda  bem próxima da fazenda da família Leão, onde Agenor era capataz. Após o almoço, as crianças combinaram de ir até a fazenda do Sr Augusto, e avisaram os familiares que conversavam na sala. Eles consentiram, mas advertiram que retornassem logo. As meninas saíram e foram pra estrada geral que vinha pra Clevelândia-Pr, como de costume faziam, mas por distração seguiram o caminho errado, indo em direção a cidade de Abelardo Luz-SC. Brincando e conversando entraram no mato, e se distanciaram cada vez mais da fazenda que pretendiam ir.  Zilá ainda falou para Elaine, estou achando estranho esse caminho pois a gente atravessava uma ponte, e nós já atravessamos duas pontes, tendo Elaine respondido. É por aqui sim, vamos entrar nesse “carreirinho” e já saímos lá na fazenda. Após caminharem alguns metros o tempo prenunciou chuva, começando a escurecer o céu, quando então correram se abrigar embaixo de uma árvore frondosa e ali permaneceram encolhidas, com as roupas na cabeça para não se molharem. Enquanto isso, os pais das crianças começaram a se preocupar com a ausência e foram até a fazenda do Sr. Augusto, mas não as encontraram o que aumentou ainda mais o temor que algo pudesse ter acontecido. 

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Zilá Pedroso e Elaine Bodanese

A partir de então começaram a procurar as meninas indagando as pessoas próximas, se tinham visto ou não, mas todas respondiam negativamente. O desespero dos familiares aumentava cada vez mais, as crianças não retornavam e ninguém sabia do paradeiro das mesmas. Não havia nenhuma informação que trouxesse esperança. O que teria acontecido ? Todos se embrenharam nas matas, procuravam nos córregos, nos rios e nenhum sinal. Buscaram ajuda da polícia, prometeram recompensas para quem as encontrasse, até uma tribo indígena para que pudesse dar alguma orientação baseado em seus costumes, sem êxito, infelizmente. O breu da noite foi chegando na mata, ouviram o uivo dos animais, o canto melancólico da coruja, e o sibilar do vento nas folhas. Veio o amanhecer e nenhum sinal das crianças. Há cada minuto que passava a esperança de encontrar as meninas com vida ia se esvaindo, afinal imaginar duas crianças frágeis, indefesas, sem comida, sem água, com frio, a mercê de animais bravios da floresta, era desolador. Havia algumas frutas silvestres na floresta, mas as crianças lembraram o conselho dos pais, para que não comessem frutos do mato, porque poderiam ser venenosos. Os moradores de Clevelândia, e municípios vizinhos, se irmanaram numa grande corrente de fé, e todos ajudavam na procura. O tempo foi passando, segunda feira, terça feira e nenhuma noticia das crianças. Havia um clima de infinita tristeza e a grande maioria das pessoas já não acreditava que as crianças estivessem vivas. Algo de terrível teria acontecido, e pouco a pouco a esperança ia se desvanecendo, dando lugar a um sentimento de solidariedade pois já se preparavam para o pior. Porém os desígnios de Deus são vedados a compreensão dos homens. Enquanto isso, na casa de Renato Jacobsen, que morava distante do local, uma de suas irmãs na hora do café matinal daquela quarta feira, falou ao mesmo. Eu sonhei que você tinha encontrado as meninas desaparecidas! Renato então assentiu: Eu também sonhei que tinha encontrado ! Vou dar mais essa viagem para buscar madeira agora de manhã e depois vou ajudar a procurar ! As crianças fatigadas pelo cansaço e a fome, foram até uma poça de água para saciar a sede. O sol das onze horas da manhã queimava a pele já ressecada, e picada de mosquitos e pernilongos. Não havia mais força para prosseguirem, sentaram ao lado da poça de água e começaram a chorar.

Nesse momento escutaram um caminhão que percorria a estrada principal rumo a Abelardo Luz. Um anjo deve ter orientado Renato Jacobsen e seu funcionários para desviar da sua rota normal para ir ao trabalho e resolveu entrar numa pequena “cancela” (porteira)  cujo o acesso levava ao encontro das crianças.  Uma decisão de inopino, sem previsão, guiada por uma força sobrenatural. Ninguém havia procurado naquele local, era quase impossível que ali estivessem. Era completamente fora do rumo. Renato desceu do caminhão e escutou o choro das crianças, e lembrou do sonho que tivera naquela noite. Deus havia lhe proporcionado a infinita graça de encontrar as crianças desaparecidas. Se aproximou delas e  as segurou nos braços uma de cada lado. A emoção tomou conta de todos. Encerrava ali um triste episódio vivenciado por duas crianças corajosas, e com um final feliz!  As meninas finalmente foram levadas para as suas casas para alegria dos familiares e dos amigos. 

Foto - momento do encontro das meninas c

Momento do encontro das meninas com os familiares e Renato Jacobsen.

Agradeço a D. Zilá ao Julio, seu filho, (pela entrevista) e a Elaine Bodanese.  Me sinto sensibilizado pela oportunidade de  relatar esse fato  a todos. Zilá e Elaine moram em Clevelândia, e são pessoas conhecidas. A nossa gratidão a família de Renato Jacobsen por ter cedido as fotos para esta publicação, e o eterno agradecimento por ter sido escolhido pelo criador do universo para encontrar as crianças desaparecidas e salvar as suas vidas !!!!!

 

19 de Abril de 2020

TESTEMUNHA OCULAR DA HISTÓRIA DE  CLEVELÂNDIA

Há poucos meses de completar 95 anos, Mozart Rocha Loures  um dos pioneiros desta terra, Descendente de europeus vindos do Conselho de Loures, cidade pertencente a região metropolitana de Portugal, do qual herdou o sobrenome, concedeu entrevista ao seu filho Nilton Luiz Pacheco Loures, advogado e  professor universitário, relatando desde a chegada  de seu avô paterno João Cypriano da Rocha Loures  vindo no século passado da região de Palmeira, então município de Passo Fundo RS. Entre os familiares, veio o seu pai, Aureliano da Rocha Loures, com apenas 14 anos de idade na garupa de uma mula, conduzida por seu irmão Antonio da Rocha Loures, que tinha 20 anos na época. Pelo valor histórico-cultural da sua narrativa, foi autorizada a publicação na imprensa.    

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Mozart Loures

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Aureliano João Cypriano da Rocha Loures

Loures- Portugal

Berço da descendência família Rocha Loures

  Entrevista com o Sr. Mozart Rocha Loures  

1- Porque o seu avô, João Cipriano veio do Rio Grande do Sul para o  Paraná?

R-  Segundo o meu pai contava, o meu avô era proprietário de uma fazenda chamada Lobo e Servo, de aproximadamente 5.000 alqueires situada na região de Palmeira, no Rio Grande do Sul, onde criava gado.  O meu pai e meus tios nasceram nessa fazenda. A fazenda foi uma doação de D. Pedro I em agradecimento ao meu avô pela abertura da estrada de Guarapuava a Nonoai em companhia do seu irmão Brigadeiro Francisco Ferreira da Rocha Loures. O meu avô abandonou a fazenda depois de ter sido invadida por forças revolucionárias. Naquela época as revoltas  no Rio Grande do Sul aconteciam com frequência.

2- Por que ocorreu o abandono da fazenda?

R-   O profeta João Maria, um andarilho que não comia carne, receitava chá de ervas, tinha fama de curandeiro  e andava pelas fazendas da região. Era muito conhecido do povo do norte do Rio Grande do sul, oeste e sul catarinense e grande parte do Paraná. Era também conhecido da minha avó Brasilicia a qual costumava levar queijo no local onde ele ficava acampado.  Em uma tarde, ouviu dele uma previsão preocupante: “Eu sei que o seu marido não acredita em mim, mas diga pare ele pegar a família e fugir desta fazenda o mais breve possível, porque vai haver uma grande revolta e todos correm risco de vida se aqui permanecerem”  Retornando para a casa, minha avó disse ao marido sobre a previsão, mas ele realmente não acreditou e respondeu a ela.: “Não seja boba em acreditar nesse homem, a região toda está calma, ninguém comenta absolutamente nada, imagina se vai haver alguma revolta”,  Entretanto, a previsão se tornou realidade, e dois dias depois do alerta, do profeta, numa manhã de inverno, as planícies amanheceram tomadas de invasores, o que obrigou o meu avô a abandonar a fazenda, fugindo com seus  familiares.  Os olhos d’água, pequenas fontes benzidas por São João Maria nunca secaram. Inclusive, eu conheço alguns situados em fazendas daqui de Clevelândia que realmente permanecem até hoje.

 

 

3- O seu avô ficou aqui em Clevelândia ou prosseguiu viagem?

R- Ele foi com os familiares para Guarapuava, ficando aqui somente o meu tio, Antonio Rocha Loures, irmão mais velho de meu pai, que foi morar em  Campo-Erê, SC, levando consigo meu pai. Muito tempo depois, a sua fazenda foi invadida por revolucionários comandados por Luiz Carlos Prestes.   

4- Quanto tempo o seu pai ficou morando em Campo-Erê?

R- Não sei exatamente, mas sei que depois de algum tempo ele retornou a Clevelândia e foi morar na Fazenda do Sr Firmino Martins, pai do  Sr Manoel Lustosa Martins, (meu padrinho)  Depois de algum tempo casou no dia 24 de maio de 1919 com Benevenuta Pacheco Arruda, nascida em Nonoai, RS e passou a morar numa casa de pedra que foi presente de casamento do seu sogro, Antonio Aires de Arruda., situada na rua São Sebastião, na esquina da Oficina do Paludo- atualmente). Os meus pais sempre moraram nesse local e eu e meus irmãos, Aroldo, Izeu, Esdrá e Nereu nascemos nessa casa. O meu irmão Nereu morreu de congestão com apenas anos de idade.  O pai de minha mãe, Antonio Aires de Arruda tinha uma casa comercial de secos e molhados, sendo um dos primeiros comerciantes da cidade.

5- Qual era a profissão do seu pai?

R- O meu pai era tropeiro, e exímio laçador. Transportava tropas de gado para a cidade de Palmeira no Paraná e algumas vezes para o Rio Grande do Sul. Mais tarde abriu um açougue. Recordo-me de que quando ele abatia os animais no antigo matadouro, ele tocava uma corneta para avisar que havia carne fresca. Um dos fregueses mais assíduos, era Oscar Loureiro Cardoso. Na época não se vendia carne com osso, somente carne pura. Mais tarde ele passou a entregar a carne no Mercado Municipal, que era localizado onde é hoje a Rodoviária, próximo a Delegacia de Polícia.

6- O Sr se recorda onde estudou?

R- Sim, estudei em uma única escola que era localizada defronte ao antigo cinema, na rua Cel. Manoel Ferreira Bello. Entrei na escola com 8 anos de idade.  A minha professora se chamava Maria Muniz do Canto Pacheco casada com Pedro do Canto Pacheco, tio da minha mãe.  Ela era de Curitiba e tudo o que sei, aprendi com ela. Era enérgica e muito competente. Dava aulas para 45 alunos, e começava as 8 horas da manhã, indo até o meio dia.  Antes de começar na escola, eu morava com meus familiares em um sítio próximo de Clevelândia, então vim de lá para estudar aqui, isto bem na época da revolução que empossou Getúlio, em 1930. Lembro de um colega de escola chamado Moacir José Alves, filho de Raimundo Constantino Alves de quem a professora me mandava  tomar a lição algumas vezes. Mais tarde foi feito uma espécie de exame de admissão para o quinto ano, e fui o único a ser aprovado, sendo que os demais colegas permaneceram no quarto ano.  Lembro também de minhas colegas, Jacira Martins (esposa do Dr Antonio Anibelli), Sinésia Rocha, Lurdes Cardoso, irmã de Oscar Cardoso, e Loremi de Figueiredo, filha de Lisbão de Figueiredo que gostava de rinha de galo.

7- Quais as famílias que residiam em Clevelândia na década de 1930?

R- Me lembro principalmente aquelas que moravam no Bairro São Sebastião. Aliás, é o bairro que pode ser considerado o mais antigo de Clevelândia. Moravam ali o meu avô, Antonio Aires de Arruda, o meu pai Aureliano Rocha Loures, a Sra Brandina, o Sr Raimundo Constantino Alves, pai de Moacir meu colega que era goleiro do time onde eu jogava, o Fluminense. O Zenon Arruda, o meu melhor amigo desde os tempos de infância, jogava no Botafogo do qual foi fundador, eu fui fundador do Fluminense.  Ainda tinha o Sr João Camargo pai de Fleury Camargo, do Anibal e do Atílio que moravam próximo a Escola Rural (hoje Colégio Agrícola Assis Brasil),  e também gostavam de rinha de galo, o qual era um esporte muito popular na cidade.

8- Além do futebol e da rinha de galo qual era o outro esporte apreciado pela juventude da época?

R- Bolinha de gude, roda de arco de barril que a gente dobrava para correr pelas ruas, e corrida de “cavalo de pau”. Recordo-me que quando tinha 12 ano, fiz uma de um galho da árvore, de esporão de galo, uma “égua” que batizei de “Pimenta”. Atamos uma corrida com o meu primo Máximo. Meu pai foi o julgador.  A raia improvisada era na estrada e saía de perto da nossa casa e ia até próximo ao atual almoxarifado da prefeitura. Tinha uns 200 metros.  Após a largada corri a frente quase todo o percurso, e chegando próximo ao fim do laço a minha “égua” quebrou, eu caí, mas cheguei na frente, dando o julgador a minha vitória.

    

9- Ainda existem construções em Clevelândia que remontam a época da sua infância?

R- Infelizmente, as construções da época já não existem mais. Eram casas de pedra e sobrados centenários. Possivelmente a casa de pedra (que era edificada defronte ao atual banco do Itaú) e foi destruída da década de 1970 tenha sido a construção mais antiga da época, da qual tenho lembrança. Foi construída por Domingos Ferreira Pacheco no século XIX. Morei dois anos naquela casa, a qual era uma “fortaleza” sendo toda ela construída com pedras entrelaçadas. Meus dois filhos mais velhos nasceram lá. (Nereu e Nélio)

10- E na sua juventude o que se fazia em Clevelândia?

R- Clevelândia tinha uma meia dúzia de casas e não havia luz. Nas noites de luar, fazíamos serenatas. A minha turma de serenata era o Hermes que tocava violão, o Zenon Arruda que tocava cavaquinho, o  Lolô Bahls, o Altamiro Alves, o  Cid Bello e eu, que também tocava violão e cantava.  As músicas  cantadas eram as valsas, “Saudade do Matão” ,”O Destino Desfolhou”, Santa Terezinha e marchinhas de carnaval da época, entre outras.  As moças abriam a janela e as famílias nos recolhiam servindo café pipoca e bolo.  A minha mãe também gostava muito e sempre pedia para a “turma” fazer serenata, recolhendo a todos com alegria. Na casa do Sr. Chico Ribas, nós também éramos sempre bem recebidos.  Importante ressaltar que a casa mais antiga que ainda resiste ao tempo é a casa desse senhor, aquela mesma onde tantas vezes fizemos serenatas. Permanece exatamente como era no meu tempo de juventude. (Casa de madeira situada na Rua Dr Francisco Beltrão esquina com Cel Pedro Pacheco). As filhas do Sr. Chico Ribas ainda moram nessa residência.  Aliás, seria interessante que fosse feito o tombamento dessa casa e futuramente fosse transformada em um museu, para preservar o patrimônio histórico da cidade.  (vide foto abaixo)

             

11-  A criação do Parque Ambiental municipal Mozart Rocha Loures, - o maior  do sudoeste do Paraná- que credencia o município para a percepção do ICMS ecológico, é um projeto grandioso que vai beneficiar a todos. O Sr como proprietário desta área o que tem a dizer ?

R- Sou clevelandense, (talvez um dos mais antigos) de identidade, alma e coração. Passei a minha vida inteira nesta cidade. Num período da minha vida trabalhei fora, mas o meu domicílio sempre foi aqui. Nasci no seio de uma família humilde, fui carroceiro e vendedor de frutas. Conheci essa cidade com pouco mais de 20 casas, tenho amor incondicional a esta terra. Ao longo da minha vida, tive participação na comunidade, colaborando com a sociedade, auxiliei como secretário do Clube Cassino Clevelandense,  fui secretário da Hípica, auxiliei na Igreja com doação de prendas,  procurei administrar com empenho e dedicação a fazenda que recebi de herança do meu sogro, com dificuldades consegui formar meus cinco filhos, a maior herança que um pai pode deixar. A parte de campo transformei em pastagens, a mata foi preservada. Sou um homem que sempre respeitou a lei dos homens e da natureza. Daquilo que recebemos graciosamente das mãos divinas, os rios, as florestes, a natureza enfim, somos apenas temporariamente depositários. A área de floresta da fazenda é muito grande, vamos preservar o que a lei exige como reserva legal. O excesso restante, poderia manejar para o cultivo de lavoura ou pastagens, o que economicamente seria mais atraente. Mas em conversa com os meus filhos, resolvemos de comum acordo, negociar parte da área a preço comercial e  parcelado para instalação do parque municipal. Nada mais do que pagar uma dívida de gratidão para com minha terra, e proporcionar maior beneficio aos moradores que usufruirão das obras a serem ser repassadas pelo Estado e principalmente  garantir a qualidade de vida dos que virão. Muito obrigado !    (O meu saudoso pai faleceu em julho de 2017)

 
 

19 de Abril de 2020

 Mercado de secos e molhados (1930)

A foto abaixo é uma relíquia de  90 ( noventa) anos atrás, e mostra com precária visibilidade de  um dos primeiros mercados de secos e molhados do município de Clevelândia, então situado na esquina da Rua São Sebastião com Rua Nelson Eloy Petry.  Era de propriedade do casal José Aires de Arruda e Balbina Arruda. (meus bisavós paternos)  A casa  era rústica e servia de “ponto” para os cavaleiros que traziam mantimentos no “lombo de mula” das cidades de São Domingos e de União da Vitória-Pr. Segundo relato do meu pai (Mozart) na época com  08 anos, ele vendia laranjas para os comerciantes que por ali passavam.

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 Mercado de secos e molhados (1930)