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Portal MEIGA TERRA
07 de jan. de 2023
In Contos e Crônicas
O que podemos falar do tempo? Nós piscamos e segundos se passam. Quando percebemos um dia inteiro se foi e não fizemos nada daquilo que planejamos. Ao nos darmos conta, o mês acabou e não conseguimos pagar aquela conta atrasada. Meio ano se foi e nem nos demos conta que nada que queríamos fazer até então conseguimos cumprir. E mais algumas piscadinhas, o ano acabou. Olhamos para trás, e o que realmente fizemos? O relógio deu meia-noite no dia 31 de dezembro. Para alguns, apenas uma simbologia com solta de fogos (sem barulho, por favor), espumantes, uvas, pular sete ondinhas, roupas de cores especiais, e por aí vai. Para outros, uma nova oportunidade de melhorar, mudar, realizar sonhos. E ainda há uma terceira parcela, que para si é mais uma noite normal como qualquer outra. O novo ano começou, e eu percebi, mais do que nunca, o quanto o tempo é valioso. Enquanto andava pela areia quente da praia, observando homens e mulheres, jovens e adultos, tomando sol, banhando-se nas limpas águas do mar catarinense, ou ainda, pasmem, poucos, mas sim, alguns veranistas lendo (e imaginem minha curiosidade para saber o que liam), fui pensando e até mesmo comentando, por que o tempo passa tão rápido quando estamos felizes, tranquilos, calmos? Agora, ao esperar o horário de um ônibus, avião, uma consulta médica, uma entrevista de emprego, as horas não passam. Você olha para o relógio e um minuto se passou de maneira eterna. A espera faz com que o tempo não passe. Contudo, em momentos de lazer e tranquilidade, o mesmo tempo, voa. São ilusões de nossa mente, afinal, os segundos, minutos e horas são os mesmos, o que muda, são os momentos em que estamos vivendo. Um ano pode demorar uma eternidade ou passar num piscar de olhos. Quatro anos podem ser duradouros como dez anos, mas podem ser rápidos como alguns meses. Tudo depende de como estamos vivendo. Do ponto de vida de cada um. Há semanas, que voam, na correria do trabalho, dos estudos, da vida. Há outras, que demoram a passar. Muitos falam que os finais de semana terminam na velocidade da luz, e eu concordo plenamente, assim como as férias. E por falar nelas, vou parar de escrever agora, e ler um livro, afinal, preciso aproveitar os dias de descanso para colocar minhas leituras em dia. Até a próxima e um ótimo ano novo, e claro, aproveitem muito bem o tempo que todos têm! Rodrigo Toigo
PRIMEIRA CRÔNICA DO ANO content media
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Portal MEIGA TERRA
24 de dez. de 2022
In Contos e Crônicas
Era quase meia-noite, hora do Papai Noel descer pela chaminé para deixar o presente, assim como seu pai prometera. Nos anos anteriores nunca conseguira ficar acordada até esse horário, mas agora, ao longo dos seus sete anos, conseguira, até que enfim, permanecer de olhos bem abertos, pronta para ouvir qualquer barulho e aí ver o bom velhinho. Esperou, esperou, esperou... e nada!! Nenhum barulho vindo da sala de jantar, onde ficava a lareira. Nenhum sinal do trenó nem dele. Será que neste ano, justamente agora que ela conseguira ficar acordada, o Papai Noel esqueceu-se de lhe deixar o presente? Ora essa!!! Mas que audácia a dele. Esquecer o presente dela. Logo o dela... De repente, logo após dar uma piscadela mais profunda e quase adormecer, eis que escutara um barulho. Quase imperceptível. Mas ouvira algo. Disso ela tinha certeza. Foi então que, delicadamente (coisa que raramente ela era) desceu da cama e nem calçou seu chinelinho cor-de-rosa para não fazer som algum no assoalho da casa. Caminhou pé por pé até a sala de estar... E foi então que ela o viu... Ele estava de costas para a porta que dava para o corredor, que por sua vez, ligava ao seu quarto. Ele estava com sua roupa vermelha. E aquele gorro vermelho. Ele, mesmo de costas, era lindo. A garotinha, na coragem dos seus sete anos de idade, permaneceu ali, imóvel diante daquela visão mágica. Diante dela estava ninguém mais, ninguém menos que ele, o Papai Noel. E das mãos dele, nada mais, nada menos que uma caixa enorme embalada em um lindo e colorido papel de presente e um laço igualmente vermelho. Quando o bom velhinho deu dois passos para trás, largando o presente na lareira, ela se escondeu, com medo de ser vista. Sim, seu pai falara que ela nunca poderia ver o Papai Noel, pois se isso ocorresse, ele levaria embora seu presente. Ouviu, ali escondida, alguns passos, até que o silêncio voltou a reinar. Aquela garotinha corajosa e assustada ao mesmo tempo, porém feliz por ter visto o Papai Noel, de corpo e alma, ali pertinho dela, com o seu presente, encontrou a sala vazia, e a única diferença, era uma enorme caixa na lareira. Iluminada pelas luzes da árvore de natal, ela se aproximou, pé por pé para não acordar seus pais, e silenciosamente rasgou o papel colorido, após, claro, tirar a fita vermelha. Ao ver a caixa, nua, ficou maravilhada. Seu sorriso brilhou mais que as luzes da árvore. Ela estava diante da mais bela boneca que já vira. Escondidos, seus pais, ainda acordados, observavam a linda e única filha deles, igualmente maravilhados com a magia do Natal. Rodrigo Toigo
Um Conto de Natal content media
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Portal MEIGA TERRA
10 de dez. de 2022
In Contos e Crônicas
Todo ano é a mesma coisa. Chega dezembro e começamos a contagem regressiva para as festividades do natal e réveillon. Muitos aguardando ansiosamente as férias para viajar à casa de parentes, amigos, campo, praia. A grande maioria, com o décimo na conta, aproveita para pagar as dívidas adquiridas durante o ano. Uns preferem guardar essa pequena bolada para gastar, se necessário, no novo ano. Além disso, o fim do ano traz a nós muitas reflexões: será que conseguimos cumprir as metas pensadas lá em janeiro? Fizemos tudo o que realmente gostaríamos? Será que saímos dos trilhos por algum motivo? Todo ano é assim, perdemos e ganhamos. Pessoas entram e outras saem de nossa vida. Dezembro traz o Papai Noel, as ruas, praças, casas e empresas enfeitadas, as noites ficam mais claras e a emoção mais aflorada. É aquela hora inevitável de parar e pensar: será que este foi um bom ano? Será que fui uma boa pessoa? As respostas nem sempre são agradáveis aos nossos próprios ouvidos. Temos também a esperança de um próximo ano ainda melhor. Sabemos que muitas surpresas nos aguardam, afinal, temos a plena consciência das incógnitas da vida. Contudo, é sadio pensar em vitórias e sucesso para o que virá. Nesta época do ano, abrace mais aqueles que você ama, fique mais próximo de quem realmente você quer por perto, sorria mais, viva mais, é a melhor e mais linda de todas as épocas. E claro, sem esquecer o grande aniversariante do mês, o Nosso Senhor Jesus Cristo, que dia 25 renasce em nossos corações, para aquecê-lo ainda mais. Viva o final deste ano. Viva o Natal. Viva 2023. Rodrigo Toigo
Mais um ano findando content media
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Portal MEIGA TERRA
05 de nov. de 2022
In Contos e Crônicas
Hoje, ao olhar para o calendário na parede da cozinha da minha casa me assustei. Na verdade, caiu a ficha. Já estamos em novembro. O ano está acabando. Daqui dois meses será 2023. O ano de 2022 está se esvaindo por entre nossos dedos. E pensar que todo processo eleitoral já acabou. Passamos por dias conflituosos, e a esperança de dias melhores nos segue. Daqui a pouco, no final deste novembro, teremos a Copa do Mundo, da qual já estou me preparando para torcer pela nossa seleção. Será que dessa vez o Hexa vem? Logo seremos novamente uma só nação, em prol da única seleção pentacampeã. Porém, nos últimos vinte anos a Copa do Mundo não nos trouxe muitas alegrias. Mas deixamos o passado de lado, pois o motivo desta crônica é o presente e o futuro. Vamos unir forças, gritos e energias positivas, para depois de duas décadas comemorarmos um novo e tão sonhado título mundial para o nosso futebol masculino. E pouco mais de um mês e meio vem o quê? O Natal, a época, para muitos, mais bela do ano. Logo os enfeites começarão a serem colocados nas residências, lojas, igrejas e praças... A magia natalina está se aproximando para aquecer nossos corações. Em 2022 podemos dizer que estamos retornando a normalidade. Sem máscaras, sem o fantasma da Covid-19 nos rondando, poderemos apreciar com mais amor as festas de fim de ano. O ano letivo está por findar em breve, formaturas e festas de confraternização já estão sendo organizadas. Olho novamente para o calendário e prefiro não pensar no que passou, pois o que virá será muito melhor. Que este novembro seja repleto de boas novas, para findarmos o ano em paz, com nossos familiares e amigos. Viva a vida. Viva o amor. Rodrigo Toigo
Um olhar para o calendário content media
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Portal MEIGA TERRA
08 de out. de 2022
In Contos e Crônicas
Estou cada vez mais estarrecido. Ontem um amigo me contou um fato que me deixou triste e pensativo. Vou lhes narrar, conforme ele me confiou... Chegara a casa, cansado do trabalho, passava da meia-noite. Dirigiu-se para o banheiro, tomou seu banho quente, para se aquecer dos últimos resquícios do frio deste ano. Vestiu seu pijama e foi à cozinha. Abriu sua geladeira, onde encontrou uma panela com o que sobrava do arroz, do feijão e de um pedaço de bife, do almoço. Pôs a esquentar em seu fogão. Enquanto esperava, ligou a TV para assistir ao noticiário noturno. Enquanto assistia as últimas notícias, mexeu o seu jantar, provou-o e serviu-se. Estava pronto para ser degustado. Sentou-se à mesa no mesmo instante que ouviu palmas serem batidas ao lado de fora de sua casa. Assustou-se. Não era comum por ali, àquela hora da noite, alguém bater palmas em seu portão. Assustado, pensando que poderia ser um assaltante (Eles batem palmas? Pensei), abriu sorrateiramente um pedaço da janela da cozinha e qual foi seu susto ao observar que ali estava uma criança, um menino que não tinha mais de dez anos de idade, minguado, raquítico, trêmulo de frio. _ O que você quer a essa hora, menino? – ele perguntou. _ “Tô” com fome, tio – o menino respondeu. E ainda disse que só havia comido no dia anterior. Meu amigo então, mesmo faminto, olhou para a sua mesa. Foi até ela, despejou o jantar não tocado em uma vasilha e resolveu lhe dar todo para o desconhecido infantil. Foi nesse momento que se lembrou de um velho casaco, de um sobrinho, que passara um tempo com ele, que estava em seu quarto. Foi até lá e o pegou. Ao voltar para a cozinha, seus olhos bateram em um cacho de bananas na fruteira. Colocou tudo em uma sacola plástica, mais uma garrafinha de água e tomado de coragem saiu noite adentro para entregar ao menino aquele jantar, com sobremesa e tudo. O menino pegou, agradeceu, e sim, sentou-se ali na calçada fria mesmo, vestindo o casaco, para se alimentar. Agradeceu novamente e pôs-se a comer. Eu ouvi esse relato em silêncio. Não esbocei reação alguma. Quando ele terminou de me contar, eu estava sem reação. Fiquei consternado pelo menino. Pelo país. Pelo mundo. Essa situação ocorreu a um garoto qualquer. Mas ocorre diariamente em nossas cidades, com tantos outros meninos e meninas. Com jovens e adultos. Predestinados a passar fome e frio. E aí eu penso na consciência da classe, nas divisões de classes. Penso na falta de oportunidades para todos, na falta de emprego e moradia digna. Despedi-me do meu amigo e vim para casa. Aqui estou a relatar esse engasgo, pois sim, ficou entalada em minha garganta a história que ele me contou. E o pior de tudo, que o máximo que estou fazendo é digitá-la para que todos a conheçam. E sei também que este assunto é manjado, já o tratei aqui... da outra feita, podia ter feito algo, não o fiz. Desta vez, também, mas continuo apático, quieto e calado, sem nada fazer. Aliás, calado não, pois quem sabe alguém que leia essa crônica se consterne com esse menino e faça algo para acabar com a fome do nosso planeta? Rodrigo Toigo
O RELATO DE UM AMIGO  content media
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Portal MEIGA TERRA
09 de set. de 2022
In Contos e Crônicas
Olá, meus leitores, cheio de ideias aqui estou novamente. E hoje, falarei sobre o Setembro Amarelo. Não é apenas um mês qualquer com uma cor qualquer. É um mês especial, onde paramos para pensar, refletir e discutir um dos temas mais complicados que temos por aí, o suicídio. Mas o que leva uma pessoa a cometer esse ato? A depressão? Problemas familiares ou amorosos? Falta de emprego? Outras doenças graves? A perda de um ente querido? Todos esses fatores são fortes candidatos a levarem alguém ao ato fatal. Mas por quê? De acordo com pesquisas, no Brasil, há uma pessoa que comete suicídio a cada 45 minutos. O maior número entre jovens de 15 a 29 anos. Um assunto preocupante, mas ainda tabu. Evita-se falar sobre isso, talvez por medo ou vergonha. Ajudar a quem precisa é algo que podemos e devemos fazer. Contudo, como identificar quem realmente precisa de apoio? Devemos ficar atentos aos nossos familiares, amigos, enfim, as pessoas ao nosso redor. Conversar é sempre importante. E se somos nós quem estamos precisando de apoio, procurar o mais rápido possível ajuda médica. Não devemos nos deixar abatermos pelos problemas. Nem sempre é fácil “falar”. Muitos dizem assim: “só eu para saber o que estou passando”, concordo plenamente. Só quem teve depressão para saber isso. Todavia, precisamos procurar apoio. Um abraço amigo, uma boa conversa, sair do nosso mundinho fechado e conhecer um mundo novo. Recentemente assisti a uma série da Netflix, Bom Dia Verônica, baseada no livro homônimo de Rapahel Montes e Ilana Casoy. O mote inicial é o suicídio de uma mulher que havia sofrido um abuso. Ainda sobre esse tema, o livro Suicidas, do mesmo Montes, narra os motivos que levaram nove jovens a atirarem em si próprios em uma roleta russa. E por fim, ainda cito a série, também da Netflix, de 2017, 13 Reasons Why, baseada também em um livro, cujo título no Brasil é Os 13 Porquês, em que a protagonista Hannah narra em treze fitas k7s os motivos que a levam a dar cabo a própria vida. Todas essas obras (citando apenas algumas, entre tantas outras), sejam literárias ou em formato de série ou até mesmo filmes, como Um Grito de Socorro, nos apresentam conflitos entre jovens, cujo fim é trágico. Infelizmente, muitas vezes, a vida real imita a arte. Muitas são as formas de tirar a vida. Mas muitas são as maneiras de mantê-la. Sem dificuldades, ninguém vive. Ou você, meu leitor, é 100% feliz? Nunca teve problemas? Nunca chorou? Nunca teve momentos de profunda tristeza? Mas sempre tem aquela hora que devemos dizer: chega!!!! Quero viver... viver e sorrir! Pedir ajuda, conversar, se distrair, sair da bolha em que vive e lutar pela vida, pela felicidade. Viva, então, a vida! Sorria e seja feliz! Grande e forte abraço. Até a próxima. Rodrigo Toigo
VIVA A VIDA, SORRIA E SEJA FELIZ! content media
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Portal MEIGA TERRA
03 de set. de 2022
In Contos e Crônicas
Olá, meus queridos leitores, tudo bem? Hoje me peguei a pensar: semana que vem teremos dois feriados por aqui, aguardados como nunca, após o interminável mês de agosto. Primeiramente, temos o famoso dia 07 de setembro, em que devemos comemorar nossa liberdade histórica. Após dois árduos e tristes anos festejaremos novamente com os famosos desfiles, não é mesmo? O meu coração já bate forte ao ouvir os ensaios da Fanfarra do Abílio Carneiro. Quanta emoção, após o terrível período pandêmico. Aos poucos tudo vai se normalizando, e eventos como esse devem ser prestigiados com alegria e satisfação. E sem dúvida, nossa praça se encherá de jubilo na manhã do dia 07. Já estou ansioso! Há 200 anos, D. Pedro gritava “Independência ou Morte”, preferiu-se a independência, é claro, mas para isso, muito se lutou. Portugal deixou de ser nosso “pai”, e nossas terras passaram a caminhar com seus próprios filhos a lhes comandar. Muito se mudou de lá para cá, e muito se tem a mudar. Vivemos em um processo evolutivo, em que a tecnologia faz parte do nosso cotidiano. Dia desses ouvi de um amigo que para ele o único bom motivo do famoso sete de setembro é que pode ficar o dia todo descansando. Eu concordei com ele, mas em partes, afinal, a importância da data é gigantesca. E por falar em feriado como um merecido descanso, temos o dia 08, feriado municipal, que muita inveja causa nas cidades vizinhas. Digo, aliás, que é uma pena não emendarmos na sexta-feira e fazermos dela um belo recesso. Ademais, como o povo brasileiro é adepto a um feriadinho, seja ele santo, histórico ou pagão, não é não? Feriado é feriado. Eu, particularmente, me amarro em um, e quando vem em dupla, como semana que vem, melhor ainda. Viva D. Pedro que às margens do Rio Ipiranga nos libertou das garras portuguesas. Viva a nossa Padroeira que nos abençoa diariamente, Nossa Senhora da Luz. E viva os feriados, para alguns, mais esperados do que o próprio Papai Noel, que já começa a se preparar para dezembro... E por falar em feriados, outubro e novembro estão despontando com belas folgas... Rodrigo Toigo
E VIVA OS FERIADOS!! content media
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Portal MEIGA TERRA
13 de ago. de 2022
In Contos e Crônicas
Certa vez eu li uma crônica do Walcyr Carrasco sobre a perda de um amigo. Em outra feita, li uma de Carlos Heitor Cony, sobre o mesmo assunto. O amigo de ambos era um cachorro e uma cadelinha, respectivamente. Sem querer me comparar ao talento genial de ambos os cronistas, redijo esta minha com o peito apertado, corroborando com ambos a dor de perder um amiguinho de quatro patas. Há pouco mais de onze anos, em visita a casa dos meus tios na vizinha cidade de Abelardo Luz, eu ganhei um filhote mestiço, todo branco com pintas pretas, bem pequenino. Há anos não tínhamos em casa um animalzinho, então meus pais resolveram aceitá-lo. O primeiro embate foi sobre o nome: eu queria Pintado, visto as pintas dele, contudo, meu pai preferia Pitoco, por causa de uma música do Teodoro e Sampaio, cujo cãozinho do clipe era igual. Mas claro, meu pai acabou vencendo a guerra do nome. Por alguns dias o mantivemos na garagem, até ele crescer um pouco. Depois, ganhou sua própria casinha, confortável como um bom amiguinho deve ter. E ali ficou por anos a fio, sempre brincalhão e comilão. Aliás, comia de tudo... comida e ração, e no domingo após o almoço, era aquela festa, recebia ossos e carne do churrasco. Aliás, aonde íamos lembrávamos em trazer um pouco de carne para ele. Cresceu forte, robusto e saudável. Nada de incômodo, detestava banho, é verdade, e sempre que saía do tanque ia direto para a terra se rolar. Sempre com as vacinas em dia, pulava de alegria quando me via. Ah, como ele atendia pelo nome de Pitoco. E latia quando ouvia minha voz perto da janela onde ele sempre ficava. Latia para os pássaros também, era uma alegria. Alegria essa quando corria pelo jardim de casa, e quantas vezes se aproveitou de um descuido do portão aberto para fugir pela rua. Mas sempre, meu pai ou eu, conseguíamos capturá-lo rapidamente e o trazia para seu doce lar. Ano passado, o já meio idoso Pitoco foi agraciado com uma casinha novinha em folha, em frente à janela da minha biblioteca, para cuidar do meu acervo de cultura. O sempre gordinho amiguinho começou a ficar doente, lentamente, levamos ao veterinário, o tratamos, e melhorou... contudo, nas últimas semanas ele novamente se abateu, o Dr. Fabiano muito bem o tratou, mas infelizmente não se havia muito a fazer. O pobre coitado estava com os dias contados. Trouxemos para dentro de casa novamente, foi aos poucos parando de andar, latir, comer e beber água. Seus olhos em meus olhos eram de angústia, dor, sofrimento. Até que hoje, aquele anjinho de quatro patas partiu. Parou de sofrer e também de nos alegrar. Escrevo esta crônica e olho pela minha janela. Sua casinha nova, a qual aproveitou pouco mais de um ano, está vazia. Seu pote de ração está quase cheio. E a saudade no peito aperta a cada instante. Despeço-me aqui, pois caiu um cisco enorme no meu olho... Rodrigo Toigo
O ADEUS AO MEU AMIGUINHO DE QUATRO PATAS content media
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Portal MEIGA TERRA
06 de ago. de 2022
In Contos e Crônicas
Falar de memórias é sempre algo empolgante e emocionante. Eu, por exemplo, lembro-me de quando ainda criança chegava das aulas do Castelo Branco, onde estudava à tarde, no antigo primário, e corria para frente da televisão. E aí começava uma maratona noveleira: eram os dramas das seis, as comédias das sete, e os romances das oito, todas da Globo, e ainda sobrava um tempinho para os melodramas mexicanos do SBT. Sempre na companhia de minha mãe, e nas novelas mais tarde, do meu pai também, após chegar do trabalho. Eram bons tempos. Tenho memórias deliciosas daquela época, pois às vezes até brigava para poder ver a trilogia das Marias, da Thalia, ou então, A Usurpadora, à época, no mesmo horário do Jornal Nacional. Faz parte das minhas lembranças grandes histórias de amor, onde eu ria e me emocionava. Consigo lembrar com exatidão uma cena em que um personagem (infelizmente não lembro a novela), já idoso, era humilhado por alguém, e eu chorei compulsivamente. Outra vez, recordo como se fosse hoje, ao final do último capítulo da novela mexicana Carrossel, chorei piedosamente, de soluçar, a época, era uma reprise que passava no horário do almoço. Pois é, depois disso eu fui crescendo, comecei a trabalhar e passei a estudar à noite. E já eram as novelas da Globo ou do SBT. Ficaram apenas na lembrança. Acompanhava sobre elas nos jornais – ainda impressos – e nos primeiros sites de fofocas que foram surgindo na ainda “bebê” internet. Com o tempo, é verdade, aquela paixão infantil e adolescente por esses melodramas, foi ficando de lado. Contudo, o mundo evoluiu, as novelas foram caindo em qualidade, e eis que surgem os famosos streamings, que vieram para dividir com a TV os nossos sonhos. Ali podemos assistir a hora que quisermos e pudermos a filmes, séries, novelas, desenhos animados e documentários. Demorei um longo tempo para me render a Globoplay, mas ao ler um anúncio promocional, não pensei duas vezes: assinei. E agora estou apaixonado por uma história que nunca assisti, mas que fez parte da minha infância por tudo o que remetia a ela: Vamp, uma famosa comédia das sete, sobre vampiros. E que delícia nostálgica está sendo assisti-la. Chego a sonhar com as personagens. Fora tantas outras atrações que estão ali, na telinha à hora que eu puder ver. E hoje, ao escrever esta crônica sobre memórias da TV, não posso deixar de enaltecer um grande humorista, apresentador e escritor: Jô Soares, que se foi, deixando um legado de experiência, talento e vitalidade, entre programas de humor da Record, Globo e SBT, e seus talk shows, com inúmeras e deliciosas entrevistas. A TV brasileira perde mais um monstro do humor, e assim, ficamos mais tristes. E a nossa literatura se despede de um grande escritor, aliás, li recentemente O Xangô de Baker Street, uma graciosa viagem aos tempos de D. Pedro II. Pois é, o tempo passa, e os grandes se vão, e novos talentos vão chegando. Difícil superar os antigos, mas nada impossível. Cada qual com seu próprio espaço. Agora, me deem licença, pois a Natacha, os Rochas, a Carmem Maura e a família Matoso estão me aguardando, para mais um capítulo de Vamp. Rodrigo Toigo
CRÔNICA NOSTALGIA content media
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30 de jul. de 2022
In Contos e Crônicas
Eu estava aqui a pensar: sobre o que escrever? Por algum tempo a falta total de assunto se assolou sobre mim e nada me vinha à mente para redigir minha simples crônica semanal. Contudo, hoje isso mudou. Essa mudança veio a partir de um telejornal que assistia com minha mãe, e a notícia que vi, chocou-me profundamente. E aí aguçou minha vontade de escrever. Desabafar. Com um misto de tristeza, raiva e piedade aqui estou a escrever tais linhas. Acreditem, amigos leitores que me acompanham nesta coluna, que um homem – aqui não o chamarei de pai – teve a coragem de ceifar a vida de um filho de apenas três meses e dois dias de idade, e junto dele, de sua esposa de pouco mais de vinte anos. Sim, esse fato é real e ocorreu em Blumenau, linda cidade catarinense. Estou chocado, realmente. Vejam, nas últimas semanas li notícias bárbaras, como um policial de Toledo que matou filhos, familiares e desconhecidos, oito ao todo, em um ato de “loucura”. Cometeu suicídio após todos os crimes. Outros casos, como um filho que matou o pai, ou um jovem de 18 anos que matou a mãe, ambos no Paraná. E aí eu me questiono: o que está ocorrendo com nossas famílias? Cadê o bom senso? Pensava eu, e muitos pensavam igual a mim, não tenho dúvidas, que a pandemia mudaria o jeito de pensar e agir de muitas pessoas, imaginava até que a maldade deixaria de ser tão forte, afinal, o mundo “virou de ponta cabeça”, entretanto o que observamos é que nada mudou, e se pensarmos um pouco mais, piorou! Gostaria de continuar sem assunto para a minha crônica a escrever sobre esses últimos acontecimentos. O mundo está em guerra. Nós estamos em guerra. A violência, a falta de amor e humanidade faz com que vivamos em um mundo caótico. E o pior, não consigo ver no horizonte uma saída para tamanhos absurdos que acometem nossa sociedade. Porém, mesmo assim, não podemos perder a fé e a esperança. E que Deus nos proteja!! Esses são os graves problemas que a família enfrenta. A falta de compaixão e compreensão. Crimes, mortes, lágrimas e dor de quem fica. Aí que está o ponto culminante. Fala-se tanto sobre as novas formações familiares, mas muito se esquece dessas brutalidades que ocorrem ao nosso redor. Mais compaixão, mais calma. Mais amor!! É o que precisamos para vivermos felizes e tranquilos!! Rodrigo Toigo
Crônica pela família content media
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16 de jul. de 2022
In Contos e Crônicas
O que eu vou lhes contar ouvi de alguém, na verdade esse amigo que me contou, viu uma situação que achou um verdadeiro absurdo. Um abuso, para ser mais específico. O fato é que ele estava em um restaurante dia desses, sentado, almoçando, e viu, em um canto, um casal. À princípio não percebeu nada de estranho, diferente, naqueles dois. Contudo, quando ele levantou seu olhar, mastigando algo que não recordava, deu de encontro com os olhos da mulher, e ela, pasmem, meus queridos leitores, chorava. Sim, aquela mulher, que segundo relatou o meu amigo, loira de cabelos longos, derramava lágrimas. Esse meu amigo, até prefiro não citar o nome, achou aquela situação estranha, e começou a observar o que estava acontecendo. Notou que o rapaz que estava com ela falava algo, muito baixo, a ponto de não conseguir ouvir. Mas a mulher, pobre coitada, essa sim, ouvia, e pelo visto, não gostava do que ouvia. Deixando o almoço esfriar, esse meu amigo viu aquele rapaz, que não tinha mais de 25 anos, apontando o dedo para o rosto da mulher, tão jovem quanto ele. Sim, ele apontava o dedo como se dissesse: “Escute, estou falando contigo”, pois nesse momento ela estava com os olhos virados para a mesa. Com certeza era uma discussão entre um casal. Com certeza aquele rapaz estava mostrando que ele é quem manda na relação, sem dúvida alguma por algum motivo, que pode até ser sagaz, daqueles bem banais, foi o motivo daquela conversa, ou seria uma discussão, quem sabe, em uma mesa de restaurante. O fato final é que meu amigo percebeu a mulher sair sozinha, quase correndo, com as bochechas vermelhas, e os olhos em lágrimas, pela porta do restaurante. E sim, o rapaz ali ficou sentado, parecia furioso, estava com o rosto todo vermelho também, a ponto de explodir. Esse, assim que a mulher saiu pela porta, levantou-se e foi ao caixa, próximo de onde meu amigo estava. Chegou para o senhor que estava atendendo naquele dia e esbravejou: “Não sei como essas mulheres de hoje em dia não aprendem que quem manda somos nós, os homens!” Pagou a conta e se retirou, deu-lhe uma olhada, com um sorriso de satisfação, como se ele soubesse que o meu amigo, aquele pobre homem que deixara seu almoço esfriar, entreouviu tudo o que ocorreu em sua mesa. E aí, só para terminar nosso papo, pedi para meu amigo se ele ou o senhor que atende o restaurante falaram algo para aquele homem. E ele me respondeu que não, pois o silêncio para esse tipo de situação, para homens como aquele, machistas ao ponto de pensarem que ainda vivem no século XIX, é o silêncio. Eu, amigos leitores, já penso diferente, quanto mais nos calarmos, homens e mulheres, existirão seres abomináveis como aquele ser, que eu não conheço, e sinceramente, prefiro não conhecer. Mas me calar diante disso? Jamais... Nota-se por essa crônica, redigida às pressas, afinal de contas, tenho muito trabalho a fazer... Rodrigo Toigo
Dois jovens e um par de olhos content media
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Portal MEIGA TERRA
09 de jul. de 2022
In Contos e Crônicas
Olá, queridos leitores. Hoje quero lhes fazer uma pergunta: lembram quando eram menores e tinham aquelas deliciosas gincanas que aconteciam na praça, ou até mesmo nas escolas? Tempos bons, não é mesmo? Reunir amigos, familiares, a turma toda para se divertir, provar conhecimentos, correr atrás de provas incríveis, só para pontuar, ganhar e correr para o abraço da vitória. Mas e quem perdia? Ora, perder é tão natural quanto ganhar. A derrota faz parte de todo processo evolutivo humano. Não tem o mesmo valor, o mesmo sabor da vitória, mas ela existe, e todos nós devemos conhecê-la e aprender com ela. E quem vencia? Ah como é bom vencer. Ver que todo esforço valeu a pena, não é mesmo? Um esforço de dias, semanas ou até meses, correria para preparar isso ou aquilo, organização das provas, pensar na premiação, data e local para a batalha acontecer. Claro que pelo caminho encontrávamos obstáculos, o que é natural em toda situação. Mas ah, como os velhos tempos eram melhores. Eis que pensando neles, alguns bons profissionais da educação desse maravilhoso município resolveram inovar e ao mesmo tempo revisitar a velha época das grandes gincanas. E com essa ideia em mente surgiu a I Gincana Intergrêmios entre os Colégios Estaduais Abílio Carneiro e Terezinha Rocha. Alunos e a equipe de profissionais da educação se envolveram por mais de 40 dias para apresentar uma excelência para suas torcidas. E o que se viu, senhores e senhoras, não há palavras para descrever nesta crônica. O sorriso e o nervosismo de cada participante, os dias que antecederam as apresentações, as incertezas e os medos. Enfrentar seis jurados de competência ímpar, provas prévias que exigiram muito trabalho. Nada foi fácil. Nossos participantes tiveram aqueles que dançaram... e que danças. E a torta na cara então? Que lambuzo saudável. Fica aqui, caros amigos, um registro em forma de crônica, desse espetáculo da educação, pois educar não é somente colocar nossos alunos em uma sala de aula com quatro paredes fechadas e uma lousa para ensinar os conteúdos programáticos. O bom educador vai além. A escola de visão vai além. Comprometimento e responsabilidade também fazem parte da nossa vida. E isso eu vi nesta semana. Que gincana, meus amigos! Que gincana! Para ficar guardada na nossa memória. A todos os envolvidos, parabéns. Rodrigo Toigo
O passado e o presente unidos por uma super gincana content media
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Portal MEIGA TERRA
02 de jul. de 2022
In Contos e Crônicas
Na última terça-feira foi feriado em Clevelândia. Isso todos nós sabemos. Feriado esse em que comemoramos os 130 anos da nossa querida cidade. São 130 anos de muita história, que iniciou lá longe, em uma época de coronéis, cujas leis eram outras e as conversas diferentes. De uma simples vila se tornou cidade, ganhando casas, ruas, igrejas e comércio. Aos poucos prosperou-se, evoluiu junto com o mundo. Cidade de grandes pessoas, grandes nomes, lutas, batalhas. Uma senhora na idade, mas que tem muito chão pela frente. O passado deve ser respeitado e o futuro, aguardado. Uma cidade de gente acolhedora, prestativa, humilde, simpática e solidária. Passamos por tantas barreira, problemas, e sempre tem alguém pronto para dar um abraço amigo. Lutamos juntos por tantas coisas, como a recente pandemia, mas não desistimos. Continuamos em pé, firmes e fortes. Uma longa história que não acaba aqui, pois a cada dia ela é escrita, nas páginas do livro que se chama Clevelândia. Cidade esta que todos se conhecem. “Se pede do fulano, o ciclano sabe quem é e o beltrano tem uma história sobre para contar”. Pessoas alegres, divertidas, que adoram uma boa festa. Mas também, gente dada ao trabalho, de sol a sol, para ganhar o seu próprio pão. E há quem maldiga de nossa cidade. Mas em nenhum jardim há só flores, existem os espinhos também. Contudo, esses bem cortados, fazer com que as flores cresçam firmes, belas e perfumadas. Nossa Meiga Terra, Portal do Sudoeste, lhe desejo as maiores e melhores felicitações. Sou grato por me acolher e fazer parte de mim, da minha vida, da minha própria história, assim como muitos são gratos por sua existência. Parabéns, não só no dia 28 de junho, mas sempre!! E um futuro brilhante é o que desejamos a ti. Rodrigo Toigo
Uma simples homenagem a Clevelândia content media
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Portal MEIGA TERRA
18 de jun. de 2022
In Contos e Crônicas
Hoje resolvi falar sobre a inveja. Esse substantivo abstrato vem do latim “invidia”, que significa “desgosto causado pela felicidade alheia”. Pois bem, se você faz um bom trabalho, cuidado... os olhares acusadores de plantão estarão próximos de ti. É como se fôssemos vigiados 24 horas por dia. Pode ser no trabalho, na igreja, em família ou até mesmo entre aqueles que se dizem amigos. Quando o teu potencial é superior ao de muitos, a inveja começa a corroer o peito de alguns, e aí, meu caro leitor, salve-se quem puder. Quanta gente aí querendo assumir o posto daqueles que se dedicam e são exímios no que fazem? Quanta denúncia infundada em níveis superiores, pelo simples prazer de maltratar e machucar a quem está fazendo o seu melhor? Mas o que seria o melhor de alguém para quem não se sente bem vendo o outro bem? Ah, que pecado! Que tristeza esse tipo de situação, não acham? A inveja corrói por dentro de pessoas que não são capazes de fazer o melhor sem prejudicar o próximo. Não são capazes ou não fazem nada para o ser, claro! E o pior, muitos desses, vivem pregando a Palavra da Bíblia, estando todo domingo à missa, fazendo caridade aqui e acolá. Humanos desumanizados. Por dentro, lá no fundo, falam mal pelas costas, criticam, e fazem de tudo para derrotar, por caminhos ilegais, a quem faz verdadeiramente o bem. Cuidado com quem te abraça, com quem lhe sorri afavelmente. Nunca sabemos quem está pronto para nos apunhalar. E não é por isso que deixaremos de brilhar. Nossa estrela deve ser cada vez mais iluminada, mesmo sabendo que ao nosso redor há pessoas que querem apagar esse brilho. Brilhe e mostre todo o seu potencial. Felicidade e harmonia. Sempre! Rodrigo Toigo
E A INVEJA? content media
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Portal MEIGA TERRA
04 de jun. de 2022
In Contos e Crônicas
Hoje pela manhã acordei e ao olhar pela janela do meu quarto, deparei-me com uma infinita gama de possibilidades. Eu poderia ficar ali, deitado, no silêncio do meu íntimo, apenas ouvindo os carros que logo começariam a passar pela rua em frente à minha casa, sentir o cheiro de café sendo preparado pela minha doce mãe, lá na cozinha, ou então, poderia levantar-me, tomar um delicioso e quente banho, tomar aquele delicioso café e sair. Sair na direção do sol. Sair à procura da minha vida, dos meus sonhos, do meu ideal. Preferi a segunda opção. Ao levantar, abri a janela e olhei para o céu. Estava azul, tão azul que me deu vontade de gritar, gritar de alegria. Mas ao invés de gritar, timidamente falei: _ Bom dia, sol de junho! Mês das festas juninas, mês do aniversário da minha amada Clevelândia. E um “bom dia”, suave e singelo foi respondido, tão suave que mal pude ouvir. Mas ouvi pelo coração. Fui ao banheiro, e banhando-me pensei nas pessoas que passaram pela minha vida. Foram muitas. Amores roubados, paixões proibidas, amizades construídas e destruídas. Vidas que, como trens, passaram por mim, e logo sumiram, sem direção, sem ameaça de volta. Enquanto a água morna caía sobre meu corpo, lembrei momentos, tive lindas e livres sensações, emoções, vibrações. Desliguei o chuveiro. Sequei-me e vesti-me. Tomei rapidamente o delicioso café que minha mãe preparara e saí. Fui à busca da vida, da felicidade. Por quem eu passava, olhava fixamente e cumprimentava. Não fazia frio, muito menos calor. O clima estava especial. Uma leve e doce brisa balançava as folhas nas árvores, como uma doce canção, que auxiliada pelo cantar dos pássaros, enchia meus ouvidos de alegria. Que festa matinal Deus preparara para todos nós. Um sorriso livre e feliz tocou meus lábios. Logo, meu cabelo começou a mexer suavemente e eu percebi que não estava sozinho. Havia a presença dEle junto de mim. E segui caminho. Passei pela padaria. Cumprimentei o padeiro. Passei pela farmácia. Cumprimentei o farmacêutico. Passei pela igreja. Cumprimentei o padre. Vários “bom dia” eu pronunciei até chegar ao meu trabalho. E ali, naquele colégio, me senti ainda mais vivo e pronto para realizar o meu sonho: ensinar. Levar àquelas crianças e adolescentes a um só caminho, o da liberdade. A liberdade do aprender, do saber argumentar, opinar. A liberdade de saber escrever com sapiência, categoria, verdade. Sim, fiz bem escolher sair de casa, pois o meu ideal é esse. Espalhar o meu conhecimento, talvez pouco, talvez quase nulo, mas é um conhecimento, para quem queira realmente aprender. Pois não há nada mais lindo do que acordar pela manhã, ver um lindo céu a nos sorrir, um sol a nos aquecer. E viva o sol que nos aquece e ilumina. Viva a brisa que trouxe o sexto mês do ano até nós, com muitas festividades e comemorações. Até a próxima!! Rodrigo Toigo
A CRÔNICA DA MANHÃ content media
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21 de mai. de 2022
In Contos e Crônicas
Essa história não aconteceu comigo, na verdade nem sei bem ao certo se aconteceu. Ouvi de um amigo, quem lhe contou foi um compadre. E quem contara a esse compadre, fora um vizinho. Pois bem, a história aconteceu muito tempo atrás, numa cidadezinha mui pequena de interior. Um jovem rapaz, cabra da peste, como muitos sabem o que é, era filho adotivo. Sim, adotivo de pai e mãe, caros senhores e senhoras. Esse jovem tinha um sonho, conhecer seu verdadeiro pai, pois bem, a mãe biológica, aquela que lhe levou por nove meses em seu sagrado ventre ele já conhecia. Mas não pensem que ele era triste pela condição de sua mãe, não. Até ria e brincava com os amigos... _ Lá vem o filho da mulher da vida. _ Ei meu amigo, como foste nascer de uma mulher como sua mãe? _ Vai-te saber quem é teu pai, cabra. Mas ele sempre sorria. E dizia: _ Um dia ei de conhecer meu pai, com a ajuda do Nosso Santo Poderoso. E nesse dia serei mui feliz, tenham certeza do fato. Mas riam dele e nem acreditam que isso ia acontecer. Meu amigo, contador da velha história, já apeado no meu rancho, tomou mais uma cuia de mate. Em seguida, prosseguiu com sua narrativa, que mui me interessava. “Pois então”, disse ele, naquela prosa animada, “certa noite o jovem rapaz reuniu em casa de sua família adotiva alguns amigos, para um churrasco regado a muito mate. Lá pelas tantas, um de seus amigos falou que temia pelo seu sogro, que viajava pelo mundo, era um caixeiro viajante, e naquele tempo, as estradas estavam perigosas”. _ Mas me fale, meu bom rapaz, quem é o senhor seu sogro? – pediu educadamente o senhor pai adotivo do rapaz que protagoniza a história. _ Meu sogro é o senhor Bento Manchado, mais conhecido como Machadinho. O senhor vem a conhecê-lo? _ Se conheço – disse, surpreso o pai adotivo. “Este então olhou para seu filho que ao ouvir o apelido Machadinho arrepiara-se todo, pois ouvira dizer, em outros tempos, que seu pai verdadeiro atendia por tal apelido. Nesse momento, pai e filho se entreolharam, olhos emocionados”. _ Pois minha jovem – disse o pai adotivo, para a amiga do jovem protagonista desta narrativa – olhes para o seu irmão mais novo, diante de você – secou uma lágrima teimosa e prosseguiu: _ Filho, a quem devoto todo meu amor e carinho, olhes para sua irmã, de quem tanto você quer bem! “Os dois não contiveram suas lágrimas e abraçaram-se.” Foi nesse momento em que meu amigo narrador ficara com a voz embargada. As lágrimas caíram desavergonhadamente. Achei engraçado um homenzarrão como ele chorar. _ Pois e aí meu velho e bom amigo, como se deu o fim desta história? – questionei-o. “Pois bem, disque então, pai biológico e filho se encontraram dias depois, quando aquele voltara de sua viagem. O velho pai, ao conhecer seu filho, que sabia que existia, mas não sabia quem era, chorara muito em seus braços. As famílias se reuniram e festejaram três dias e três noites sem parar. Muito churrasco, mate e cervejada”. Ao terminar sua narrativa, meu nobre amigo olhara seu relógio, estava tarde, precisava partir, tinha muito a fazer em sua terrinha. Despediu-se de mim, apeou em seu cabresto e partiu. Sozinho, em meu rancho fiquei pensando naquela história. Bonita história, de um rapaz que sonhava em conhecer o pai. E esse sonho realizou-se. Bom e nobre rapaz. Rodrigo Toigo
HISTÓRIA DE PAI E FILHO content media
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07 de mai. de 2022
In Contos e Crônicas
Mãe, tudo bem? Espero que sim! Venho através destas mal escritas palavras lhe pedir perdão. Peço perdão por cada momento que errei, por todas as dores de cabeça que lhe dei, pelos momentos que lhe fiz chorar. Mãe, quero que saiba que me arrependo de tudo que fiz de errado e das atitudes que tomei que lhe causaram dor e preocupação. Mãe, aproveito que estou aqui redigindo esta crônica para lhe agradecer. Agradeço-lhe por ter me carregado dentro de ti, por ter aguardado incansavelmente a magia do meu crescimento em sua barriga. Agradeço por ter suportado as dores do parto (e peço-lhe desculpas aqui também se a fiz sofrer naquele longínquo momento). Mãe, eu lhe agradeço pelas noites em claro, quando eu bebê chorava sem poder falar o porquê de tantas lágrimas. E eu fui crescendo, mãe, e a senhora sempre ali, ao meu lado, me apoiando, me dando o suporte necessário para crescer. Pois bem, mãe, eu cresci e hoje graças aos seus esforços para que eu aprendesse e me tornasse alguém digno, estou aqui, a lhe escrever. Agradeço, mãe, pelo simples fato da senhora existir. E como é bom passar mais um ano o dia das mães em seus braços. Sabe, mãe, toda noite ao dormir eu rezo e agradeço a Deus pela sua existência, e ao amanhecer, quando acordo e pulo da cama, peço ao Nosso Senhor para zelar por ti em mais um dia. Mãe, estremeço em imaginar como seria minha vida sem ti. E o que vejo é apenas um vazio, uma escuridão sem fim. Penso em tanta gente que não possui um ombro materno para chorar, que não terá um abraço de mãe neste domingo. E peço a Deus para que zele por todos eles também. Mãe, minha rainha, minha dádiva maior, desejo-lhe hoje e sempre, FELIZ E SANTO DIA DAS MÃES, e que possamos comemorar juntos esta data por muitos e muitos anos. Rodrigo Toigo
Crônica a todas as mães... content media
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30 de abr. de 2022
In Contos e Crônicas
Era uma noite qualquer. Mais fria do que o comum, é verdade. Ah, e chovia. Lembro-me muito bem. Estava eu em minha casa, aconchegante e quente, quando senti que estava com fome. Sim, senti. Passei a tarde toda em meio aos meus livros, lendo, estudando, pesquisando. Quando notei, já era noite, e eu estava faminto. Apenas almoçara naquele dia. Então, resolvi ligar para pedir um lanche. Como eu não havia tirando nem meu rosto de casa, naquele dia, resolvi pegar meu carro e buscar o lanche pedido. Como disse, chovia. Enquanto me aproximava da lanchonete, as gotas de chuva que molhavam o para-brisa do meu automóvel tornaram-se mais fortes e grossas. Àquela chuva torrencial da tarde voltava. Estacionei bem à porta da lanchonete, esperei alguns segundos a chuva dar uma diminuída. Passado algum tempo, e a chuva diminuindo sua intensidade, saí do carro correndo. Parecia o novo dilúvio de Noé. Foi chegando à calçada que eu o vi. Sim, ele estava, mesmo com aquela chuva e aquele frio, com um calção simples e uma camiseta manga curta rasgada. Era uma criança de no máximo dez anos de idade. Não teria mais que isso, jamais. Nossos olhares se cruzaram. _ Tio, o senhor tem uma moedinha pra me dar? “Tô” com fome. Queria “comprá” um lanche “pra mim”. Não estávamos nos molhando porque o toldo acima da porta nos protegia. Engoli em seco, em segundos minha vida tranquila, aquecida, e de bons recursos passou pela minha cabeça. Desmoronei-me ali mesmo. Não, não caí, nem chorei. Usei uma boa metáfora aqui, mas a verdade é que fiquei sem ação com aquela fala, que não pude deixar de notar, detonava com a nossa língua materna. Mas o que seria uma boa língua materna para aquele pobre coitado com fome à minha frente? Respondi que pediria para que lhe fizessem um lanche, pagaria, e que após pegá-lo, comesse e fosse para casa. O menino agradeceu. Eu entrei, fiz o pedido para ele, peguei e paguei o meu lanche e daquela criança, destinada à miséria, à fome e a um futuro que não consigo nem imaginar. Saí e o vi, sentadinho na calçada molhada, encolhido de frio, esperando o lanche que eu pagara a ele. Não é de hoje que vejo crianças assim. Nem que pago um lanche para eles. Não me diminui nem me faz falta, mas também não me sinto um super herói fazendo isso. Percebo o quão sou e somos pequenos diante de um mundo miserável em que vivemos. Como podem crianças, pequenos indefesos que serão o futuro da nossa pátria, jogados a própria sorte, passando fome, frio, e quiçá sem um lar para morar, uma família digna para junto viver? O quão pobre somos compelidos à miséria que nos ronda, a nossa própria miséria de espírito. Sinto que faço pouco, poderia fazer mais. Mas percebo que não tenho forças (ou seria coragem, capacidade, humildade) para ajudar. Não consigo ficar feliz mesmo sabendo que naquela noite aquela criança não dormiu com fome. Não fico feliz porque aquela não é a única noite dele, e ele não é a única criança que passa fome nesse mundo. Rodrigo Toigo
UMA NOITE QUALQUER, UMA CRIANÇA COM FOME... content media
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16 de abr. de 2022
In Contos e Crônicas
Alice é uma bonita menina que vive com seus pais e seu único irmão, um lindo bebezinho. Eles não possuem muitas coisas em casa, mas o que tem conseguiram do esforço e trabalho de seus pais. A menina nunca ganhou um presente de Páscoa, pois todo mês falta dinheiro para que seus pais paguem as contas, então, dizem eles, que no próximo ano ela ganhará um presente... mas o próximo ano chega e ela nunca ganha. Na escola, Alice sempre ouve seus colegas falarem dos presentinhos que ganham do Coelhinho da Páscoa. Porém, ela não fica triste, pois entende que o melhor presente ela já possui: o amor e carinho de seus pais, que sempre que podem estão presentes, conversando com ela e querendo saber como está indo nos estudos. ___ O que você ganhará este ano, de Páscoa, Alice? – pediu uma de suas colegas, certo dia na escola. ___ Beijos e abraços dos meus pais – respondeu, sorrindo. ___ Eu vou ganhar um lindo ovo de chocolate, daqueles bem grandes, sabia? ___ Eu já vi sim, mas são muito caros, e segundo meus pais, não vale a pena comprá-los. Eles são ocos por dentro. ___ Não importa se são caros ou baratos, meu pai e minha mãe têm a obrigação de me darem muitos ovos, afinal, sou a filha amada deles. Ao ouvir isso, Alice se chateou com a colega e preferiu sair de perto dela. O domingo de Páscoa foi se aproximando. No sábado à noite, ela notou que seus pais estavam na sala, após tomarem uma sopa no jantar, cochichando. Ela quis saber o que era. ___ Não é nada, filhinha. Vai dormir, que já está tarde – respondeu sua mãe, beijando-lhe a testa. Alice se despediu dos pais e foi para o seu quarto. Sabia que no domingo seria Páscoa e ela mais uma vez não receberia presente algum. Lembrou da colega de escola que receberia vários ovos e pensou: “Mas ela não tem os pais que eu tenho...” e assim, logo adormeceu. Dormiu a noite toda. Quando acordou, no domingo de Páscoa, percebeu que sobre uma mesinha que havia em um canto de seu quarto havia algo diferente: era uma pequena cestinha. Sorrindo, saiu correndo da cama e foi até essa mesinha, e lá encontrou realmente uma cesta, cheia de doces. Havia chocolates, pirolitos, balas, paçocas, enfim, tudo o que ela mais gostava. Pegou a cesta e foi correndo até a cozinha. Seus pais tomavam café da manhã, e seu irmãozinho estava mamando no peito da mãe. Com lágrimas nos olhos, Alice agradeceu aos pais o belo e delicioso presente que recebera. ___ Não pudemos comprar um ovo daqueles grandes, minha filha, mas ao menos este ano não deixamos de lhe dar um presentinho – falou seu pai, emocionado. ___ Você é uma filha maravilhosa, mas não podemos comprar tudo o que você merece, meu amor – disse sua mãe. Alice, com lágrimas nos olhos, beijou o rosto de seu pai e de sua mãe, e disse: ___ Para que ovo de Páscoa, se o maior presente que eu poderia ganhar são vocês? Ah, e obrigado pela cesta, esses doces são os melhores do mundo! Sentou-se à mesa e começou a comê-los. Rodrigo Toigo
A PÁSCOA DE ALICE content media
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Portal MEIGA TERRA
09 de abr. de 2022
In Contos e Crônicas
Aqui quem vos escreve sou eu, seu aluno... Venho através dessa missiva, pedir-lhe perdão por todas às vezes que lhe desrespeitei. Sei que não sou um aluno perfeito, mas sou muito grato por seus ensinamentos. Antes da pandemia, minha família e eu não sabíamos o tamanho da sua importância, mas depois de ficarmos "trancados" em casa por tanto tempo, assistindo as aulas remotas, percebemos o quão fundamental é a sua presença física. Imagino a dificuldade que deve ter sido preparar as aulas e as ministrá-las por um computador. Foi difícil para nós, alunos, e para o senhor. Sabe, querido professor, todo o esforço que o senhor tem para chegar à sala de aula e repassar a mim e a todos os meus colegas um oceano de conhecimento nem sempre é reconhecido. E hoje me bateu uma vontade de escrever-lhe justamente por isso. Eu sei que muitas vezes o senhor se cansa de nós, mas, por favor, não desista. Querido professor, nunca desista de nós, nunca desista de sua vocação que é brilhante. Se não fosse pelo senhor, eu não estaria aqui, escrevendo este texto. Eu não saberia nem ler, nem fazer contas, resolver problemas, muito menos saberia fatos históricos ou me localizar no mundo. Sei que às vezes o senhor está cansado e não consegue dar o melhor de si, mas também pudera, a semana é cansativa e muitas vezes o estresse lhe leva à exaustão. Mas, repito, não desista. Segue firme, querido professor. Eu percebo que depois da pandemia voltamos mais agitados, com mais vontade de conversar, mas sê compreensivo, por favor, ficamos muito tempo dentro de casa, sozinhos, e queremos nos comunicar com nossos amigos e colegas, e com o senhor também. Agradeço, agora, por todos os momentos que me ouviu e que ouviu meus colegas. Esses são fundamentais para o nosso crescimento profissional. Obrigado, querido professor, por parar seu conteúdo, várias vezes, simplesmente para ser nosso ombro amigo. Sabe, professor, em muitos momentos não somos ouvidos em casa, e sabemos que encontramos além de um grande mestre, um amigo em ti. Perdão por desapontá-lo em algumas aulas, com conversas ou falta de atenção, ou então, com notas baixas. Mas saiba que nos esforçamos, e conseguimos, sim, caprichar e melhorar. Só precisamos de um tempo a mais. Agradeço, querido professor, pela sua paciência em repetir explicações para que possamos compreender a matéria. Enfim, querido professor, concluo esta carta lhe agradecendo, por ser essa pessoa dedicada, sincera e amiga. Continue seu trabalho, pois nosso futuro depende muito de ti!!! Rodrigo Toigo
Querido professor... content media
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